O governo francês anunciou a suspensão das discussões parlamentares sobre o orçamento de 2026, afirmando ser ‘impossível’ obter sua aprovação no Parlamento. A declaração ocorre em meio a uma crise política que se agravou após as eleições antecipadas de 2024, que fragmentaram a Assembleia Nacional em três blocos: esquerda, centro-direita e extrema direita.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu, que busca evitar a imposição de orçamentos sem votação, já havia conseguido aprovar a primeira parte relacionada ao financiamento da Previdência Social, em troca da suspensão da impopular Reforma da Previdência até 2028. No entanto, as negociações sobre a segunda parte, que trata do funcionamento do Estado, não chegaram a um consenso, levando o governo a considerar alternativas controversas como o uso do ‘Artigo 49.3’.
As opções em discussão incluem a aprovação do orçamento sem votação parlamentar ou a adoção de decretos, que poderiam permitir a implementação do orçamento mesmo diante de uma moção de censura. Lecornu se comprometeu a apresentar um acordo até o final do dia, mas a pressão do tempo e a falta de consenso complicam a situação, levantando questões sobre a continuidade e a estabilidade do governo francês.

