Aposentado italiano é investigado por envolvimento em ‘safári humano’

Rodrigo Fonseca
Tempo: 2 min.

Um aposentado de 80 anos, morador da província de Pordenone, na Itália, tornou-se o primeiro investigado em um inquérito sobre ‘safáris humanos’ durante o cerco a Sarajevo na década de 1990. O Ministério Público de Milão notificou o idoso, que é suspeito de ter participado de um grupo de ‘atiradores turistas’, que pagavam para atirar em civis da cidade sitiada. Ele foi convocado para um interrogatório no dia 9 de fevereiro, enfrentando acusações graves de homicídio voluntário.

O inquérito tem suas raízes em uma denúncia do escritor Ezio Gavazzeni, que reuniu informações sobre o caso, incluindo relatos de um ex-agente de inteligência bosníaco. Durante o cerco, que durou quase quatro anos, mais de 10 mil pessoas foram mortas, e a investigação procura esclarecer a participação de civis europeus em ações que visavam a população inocente de Sarajevo. O aposentado é descrito como um simpatizante da extrema direita e possuía várias armas em casa.

As autoridades italianas também buscam cooperar internacionalmente, uma vez que a investigação se estende à Bósnia e a outros países da Europa. Estão sendo feitas apurações para descobrir se cidadãos de nações como Bélgica, França e Suíça também estiveram envolvidos nos ‘safáris humanos’. O caso destaca a necessidade de justiça e a busca por responsabilização por crimes cometidos durante conflitos armados, refletindo questões mais amplas sobre a memória e a verdade histórica.

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