Investigações da Polícia Federal (PF) revelam que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, liderava um grupo criminoso que utilizava táticas violentas e tráfico de influência para atingir seus objetivos e atacar detratores.
O analista Matheus Teixeira, no CNN 360°, afirmou que essas revelações mostram que o modus operandi de Vorcaro “não era tão polido” e ia além da simples articulação política. Ele destacou que “além de todo esse tráfico de influência ilegal, agora vem à tona uma dinâmica violenta”.
A decisão do ministro André Mendonça, que determinou a prisão de Vorcaro, descreve a organização criminosa como apresentando uma “dinâmica violenta”. Entre as evidências mais graves, está uma conversa em que o banqueiro planeja simular um assalto para “quebrar os dentes” do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, em retaliação a reportagens consideradas prejudiciais ao Banco Master.
As mensagens obtidas pela PF também revelam ameaças contra uma ex-funcionária identificada como Munique, onde Vorcaro afirma que iria “moer essa vagabunda”, evidenciando o padrão de comportamento violento do grupo.
As investigações apontam para uma estrutura hierarquizada, com Daniel Vorcaro como líder e seu cunhado Fabiano Zettel como principal operador das demandas ilegais. O grupo contava com infiltrados em órgãos públicos, incluindo um ex-policial federal que fornecia dados sigilosos e membros do Banco Central, entre eles um diretor da instituição.
As mensagens também mostram conversas entre Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, descrito como um “sicário”, com quem o banqueiro discutia planos de ataques contra seus desafetos.
O caso evidencia um conflito entre o ministro André Mendonça e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O PGR Paulo Gonet foi consultado sobre as prisões, mas não se manifestou dentro do prazo de 72 horas. Quando finalmente se pronunciou, afirmou não ver urgência nas medidas cautelares solicitadas pela PF. Contrariando a PGR, Mendonça acolheu os pedidos da PF e determinou as prisões, justificando sua decisão pela gravidade das ameaças e pelo risco à ordem pública que os investigados representavam.
Na decisão, o ministro destacou as ameaças contra o jornalista Lauro Jardim, ressaltando a importância da imprensa livre como “premissa do Brasil democrático”.

