Arrozeiros solicitam medidas urgentes ao Ministério da Agricultura para enfrentar crise

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Entidades da cadeia produtiva do arroz enviaram um ofício ao Ministério da Agricultura solicitando ações para reverter a crise de preços enfrentada pelo setor na safra 2025/26.

As entidades acreditam que as medidas propostas são essenciais para preservar a sustentabilidade econômica da produção e evitar a redução da área plantada. Durante uma reunião nesta terça-feira com o Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o setor arrozeiro pediu a ampliação do número de parcelas de custeio e de recursos para a comercialização, visando reduzir a discrepância entre oferta e demanda.

A fiscalização da tipificação do arroz comercializado no Brasil também foi discutida. Produtores exigem que o cereal importado de concorrentes, como o Paraguai, atenda a padrões de qualidade. O ministério afirmou que segue padrões rigorosos e eficientes de fiscalização sobre o arroz importado.

““Trabalhamos no negativo, o produtor não consegue cobrir seus custos com a cotação atual. O prejuízo deve ser revertido, e por isso, precisamos ter resultados positivos ou pelo menos diminuir os prejuízos na safra”, afirmou Denis Nunes, presidente da Federarroz.”

Os produtores de arroz enfrentam uma crise econômica, com negociações desfavoráveis para o abastecimento doméstico e aumento da concorrência internacional, que tem ganhado espaço em mercados como São Paulo e Minas Gerais. A negociação do arroz continua complicada, com produtores buscando preços em torno de R$ 80,00 por saca de 50kg, enquanto a maioria das transações ocorre a R$ 55,79, conforme estimativa do Cepea.

““A cotação atual da saca é quase metade do que esperávamos para cobrir os custos da produção, esse cenário deve se reverter para seguirmos”, destacou Alexandre Velho, presidente do IRGA.”

A Conab anunciou a liberação de R$ 73,6 milhões para apoiar a comercialização do arroz da safra 2025/26, com o objetivo de auxiliar o setor no escoamento da produção e sustentar a renda dos produtores diante da queda nos preços.

A ação prevê o escoamento de aproximadamente 300 mil toneladas das regiões produtoras para os centros consumidores. O Rio Grande do Sul, responsável pela maior produção de arroz no Brasil, reduziu a área plantada nesta safra em 8,06%, totalizando 891,9 mil hectares, para evitar uma oferta excessiva com custos elevados.

A produção brasileira de arroz deve ser de cerca de 11 milhões de toneladas, uma queda de 14% em relação à safra anterior, com uma redução de 11% na área semeada. A produção global de arroz é estimada em 541,16 milhões de toneladas, com exportações globais de 62,8 milhões de toneladas de arroz beneficiado, um aumento de 5,2% em relação ao ciclo anterior.

Participaram da reunião e do ofício a Federarroz, a Farsul e a Cooperativa de Cereais de Camaquã (COOPACC).

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