Corrupção na Polícia Civil de SP: uso de VRs para lavagem de dinheiro

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) investiga corrupção em departamentos da Polícia Civil do estado, revelando que uma organização criminosa utilizava tickets de alimentação, conhecidos como “VR”, para lavagem de dinheiro.

O dinheiro proveniente do tráfico de drogas, recebido em espécie, era usado para adquirir os cartões. Os tickets eram depois utilizados em padarias e “mercadinhos” de fachada, que transferiam recursos para empresas fictícias. Assim, os valores eram convertidos em créditos com aparência lícita e reinseridos no sistema financeiro.

Um dos principais alvos da operação, Cléber Azevedo dos Santos, é diretamente associado à prática criminosa, sendo mencionado em conversas como “Cléber do ticket”. O MPSP afirma que policiais civis desempenhavam um papel central no esquema, impedindo o andamento das investigações sobre as empresas envolvidas.

““despesas Ticket delegacia””

O MPSP aponta que as delegacias se tornaram “balcões de negócios” para garantir que o esquema dos “VRs” não fosse desmantelado.

Na manhã de quinta-feira (5), o MPSP e a Polícia Federal (PF) realizaram uma operação contra corrupção e lavagem de dinheiro na Polícia Civil do Estado de São Paulo. Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, incluindo unidades policiais, além de 11 mandados de prisão e seis mandados de intimação relacionados a medidas cautelares diversas da prisão, direcionados a integrantes da organização criminosa, advogados e policiais civis, na Operação Bazaar.

Onze pessoas foram presas, incluindo os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, que são apontados como operadores do grupo criminoso e já eram alvos da Operação Lava Jato.

A decisão judicial que autorizou a operação menciona um “elevado grau de prática de corrupção sistêmica” entre policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) e do 16° DP (Vila Clementino).

A investigação revela um “amplo e estruturado esquema de corrupção policial” voltado à proteção de uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro. O grupo era composto por doleiros, operadores financeiros e indivíduos com histórico de lavagem de capitais.

O MPSP afirma que a organização atuava de forma coordenada para garantir a continuidade das práticas criminosas e evitar a responsabilização de seus integrantes, realizando pagamentos sistemáticos de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de investigações e destruição de provas em inquéritos policiais.

A operação é realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) e conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil. Em reunião conjunta, foi decidido realizar correições extraordinárias em todas as unidades policiais envolvidas para promover a responsabilização disciplinar e apurar outros ilícitos ocorridos.

A defesa dos alvos citados foi contatada, mas não houve posicionamento até o momento.

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