Uma adolescente de 17 anos foi vítima de um estupro coletivo em Copacabana, na zona Sul do Rio de Janeiro, em 31 de janeiro. O caso trouxe à tona o impacto emocional que crimes dessa natureza causam nas vítimas. A jovem foi atraída para uma emboscada planejada por um ex-namorado em quem confiava.
Após a violência, a vítima relatou à família e às autoridades sentimentos de dúvida e culpa. A psicóloga Priscila Fortini, mestre em psicologia e especialista no atendimento clínico de vítimas de violência, explicou que essa reação é comum em quadros de trauma e não deve ser confundida com consentimento.
““É uma defesa. É muito comum que a vítima, em muitos casos, no dia do evento e dias posteriores, não se recorde do que aconteceu”, disse Priscila Fortini.”
De acordo com a especialista, a reação imediata de muitas vítimas pode incluir um “anestesiamento psíquico” ou apagamento de memórias, conhecido como estado de choque. Ela ressaltou que elementos como a incapacidade de reagir fisicamente ou falhas na memória são mecanismos de defesa biológicos.
““Esses elementos que são os mais culpabilizantes, como ficar parado ou não ter lembranças, são parte de uma defesa, algo que a pessoa não tem controle e que não é responsabilidade dela”, complementou.”
A vítima chegou à delegacia abalada e sangrando, o que reforça a gravidade do ocorrido. No entanto, o questionamento interno sobre sua própria responsabilidade, como ter ido ao local, pode refletir o condicionamento social que coloca a mulher em um lugar de culpa.
““Socialmente se coloca a mulher em um lugar de culpa, porque vão dizer que ela foi até lá”, ponderou a psicóloga.”
O inquérito da 12ª DP (Copacabana) revelou que o crime foi articulado via mensagens de aplicativo. A jovem concordou em encontrar o ex-namorado, mas foi surpreendida por outros quatro adultos que invadiram o quarto. O exame de corpo de delito confirmou lesões compatíveis com agressões físicas e evidências de violência sexual.
A Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia contra quatro adultos, que se tornaram réus pelo crime de estupro com concurso de pessoas: Mattheus Verissimo Zoel Martins, João Gabriel Xavier Bertho, Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, todos presos. O adolescente que planejou o ato responderá por ato infracional análogo ao estupro, conforme as diretrizes do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Instituições como o Colégio Pedro II e a UNIRIO iniciaram processos de desligamento e suspensão dos envolvidos vinculados às unidades.


