A Procuradoria-Geral da República (PGR) enfrenta um momento de isolamento após críticas do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O episódio ocorreu na quinta-feira, 5 de março de 2026, quando a PGR solicitou mais tempo para analisar um pedido da Polícia Federal para a deflagração da operação Compliance Zero, que incluía mandados de busca e apreensão, medidas cautelares e prisão preventiva de suspeitos.
O ministro havia determinado um prazo de 72 horas para a resposta, mas a Procuradoria respondeu com atraso, alegando a complexidade do caso e a necessidade de mais tempo para análise. Durante o Live CNN, o analista de política Teo Cury destacou que Mendonça lamentou a postura da PGR, afirmando que havia “fartas provas, robustas provas” que indicavam um risco crescente quanto à demora na tomada de decisão, algo que, segundo ele, o Procurador-Geral da República não percebeu.
Este episódio não é um caso isolado de divergência entre a PGR e outros órgãos do sistema de justiça. Cury mencionou que a Procuradoria já havia se posicionado contrariamente a medidas propostas pela Polícia Federal em fases anteriores da investigação, o que gerou desconforto entre as instituições.
O histórico recente revela que o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, não tomou iniciativas significativas para questionar decisões do ministro Dias Toffoli, que relatava o inquérito do caso Master no STF. Gonet limitou-se a rebater apenas alguns pontos específicos, como um pedido de reconsideração sobre uma acariação determinada por Toffoli em dezembro do ano anterior e o questionamento sobre o isolamento da Polícia Federal da análise do material apreendido na segunda fase da operação Compliance Zero.
Além disso, havia pressão para que Gonet solicitasse o afastamento de Toffoli da investigação, o que não ocorreu. O analista ressaltou que cabe à PGR a responsabilidade de apresentar pedidos de suspeição ou impedimento de ministros do STF.

