Sete pacientes perderam a visão após complicações decorrentes de cirurgias de catarata realizadas em um mutirão no dia 26 de fevereiro na clínica Clivan, em Salvador, Bahia.
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), todos os pacientes afetados precisaram passar por evisceração ocular, um procedimento que envolve a retirada do conteúdo do olho, devido a problemas no pós-operatório.
A clínica, que atendia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), foi interditada na última segunda-feira (2) após dezenas de pacientes relatarem perda de visão, dores intensas e outras complicações.
No total, 138 procedimentos cirúrgicos foram realizados na clínica naquele dia, dos quais 26 ocorreram na sala onde foram registrados os problemas. Entre os pacientes operados nesse local, 25 apresentaram complicações no pós-operatório e estão sendo acompanhados pela rede pública de saúde.
Uma paciente não relatou queixas e tem consulta de revisão marcada. Entre os casos com intercorrências, 16 pacientes seguem em tratamento clínico especializado, enquanto outros nove tiveram indicação de evisceração ocular. Sete já passaram pelo procedimento e dois aguardam a cirurgia.
A SMS afirmou que não autorizou a realização do mutirão nem a execução das cirurgias realizadas na data. O órgão destacou que a realização de procedimentos sem autorização prévia do gestor do SUS configura uma irregularidade gravíssima.
Um levantamento feito a partir do Cadastro Nacional de Saúde identificou que 14 pacientes são moradores de Salvador e 11 vieram de outros municípios. Oito pacientes tiveram solicitações de autorização registradas apenas em 2 de março, após o surgimento das complicações.
Após tomar conhecimento das denúncias, a prefeitura adotou medidas imediatas, incluindo a interdição da clínica, a suspensão do alvará sanitário e o cancelamento do convênio com o município. Um processo administrativo sanitário foi instaurado e o caso foi comunicado ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia.
O Conselho Regional de Medicina da Bahia informou que realizou fiscalização na unidade após ser acionado e que medidas cabíveis serão adotadas após a conclusão do relatório da inspeção. Eventuais sanções públicas só poderão ser divulgadas após a instauração e conclusão de um processo ético-profissional, que tramita sob sigilo.
A Secretaria Municipal da Saúde está localizando pacientes que tinham consultas, exames ou procedimentos agendados na clínica para encaminhá-los a outras unidades da rede assistencial, garantindo a continuidade do atendimento pelo SUS. Os pacientes afetados estão sendo acompanhados em serviços de referência, como o Hospital Geral do Estado e o Hospital Santa Luzia. A clínica Clivan não havia se manifestado até a publicação deste texto.

