O presidente do PT, Edinho Silva, se pronunciou na tarde desta quinta-feira, 5, sobre a polêmica em torno da possibilidade de o PSOL integrar a federação Brasil da Esperança, que atualmente conta com PT, PV e PCdoB. Ele defendeu a ideia, afirmando que a formalização de um grupo único no campo da esquerda é uma “exigência histórica”.
“O debate de unidade da esquerda, da centro-esquerda, do campo democrático, é uma exigência histórica. É hora de nós pensarmos do ponto de vista histórico. É hora de deixarmos para o segundo plano as divergências, as diferenças de pensamento, as diferenças de leitura da conjuntura, para entendermos os desafios históricos. Neste momento, a história exige de nós a capacidade de unidade, que a esquerda esteja unificada (…) para que a gente possa não só definir a agenda de futuro do Brasil, mas para que a gente possa derrotar o fascismo”, declarou Edinho.
O petista argumentou que a criação de uma grande federação com o máximo de partidos de esquerda possível seria uma estratégia para combater as legendas de direita, que têm ampliado suas forças no Congresso Nacional. “Estamos vendo a consolidação de um campo de ultradireita no Brasil. A reeleição do presidente Lula é fundamental para que a gente enfrente tudo isso, mas nós temos que ter capacidade de leitura e entender que essa disputa vai muito além de uma disputa eleitoral. É uma disputa histórica, uma disputa de rumos. E, certamente, não é com a esquerda dividida, fragmentada, muitas vezes se consumindo em debates internos, que nós vamos criar as condições para que a gente imponha uma derrota ao fascismo e a essa organização da ultradireita“, acrescentou Edinho em um vídeo publicado nas redes sociais.
A declaração de Edinho também é vista como uma resposta a um movimento dentro do PSOL, onde parlamentares como Fernanda Melchionna, Glauber Braga e Sâmia Bomfim se manifestaram contra a federação com os petistas. “É um tema que eu sei que tem gerado muita polêmica. E acho que é até uma polêmica desnecessária. Não que o debate não seja importante. Mas eu acho que esse ambiente de polêmica e uma certa agressividade, isso é desnecessário”, afirmou Edinho no vídeo.
Dentro do PSOL, apenas uma corrente, liderada pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, defende a federação com o PT, contando com o apoio da ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, e da deputada federal Erika Hilton. A decisão final sobre a questão será votada no próximo sábado, 7, durante reunião do diretório nacional do PSOL, com a expectativa de que a proposta de federação com o PT seja rejeitada.

