EUA pedem mais ação do Brasil contra cartéis de drogas

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Uma fonte do Departamento de Defesa dos Estados Unidos afirmou nesta quinta-feira (5) que espera que o Brasil, a Colômbia e o Uruguai intensifiquem suas ações no combate aos cartéis de tráfico de drogas.

O Brasil não participou da Conferência das Américas sobre o Combate aos Cartéis, que ocorreu no quartel-general do Comando Sul dos Estados Unidos, na Flórida. O evento contou com a presença de líderes militares de diversos países, incluindo Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.

Um funcionário do Departamento de Defesa dos EUA declarou que “o fato de alguns países não estarem participando não reflete uma mudança de postura em relação ao relacionamento de defesa”. Ele destacou que a ausência do Brasil “não prejudica o diálogo contínuo, os exercícios e outros engajamentos de rotina e atividades essenciais que formam a base da nossa relação de defesa”.

““Esperamos que Brasil, Colômbia e Uruguai façam mais”, disse o funcionário do Departamento de Defesa norte-americano.”

A fonte não esclareceu se o Brasil foi convidado para o evento, mas mencionou que todos os países presentes assinaram uma declaração conjunta sobre segurança. O Itamaraty e a embaixada brasileira nos Estados Unidos foram questionados sobre a ausência do Brasil e aguardam retorno.

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump têm abordagens diferentes sobre o combate aos cartéis de drogas na América Latina. Lula tentou atuar como mediador na crise entre os Estados Unidos e a Venezuela, mas não houve abertura por parte das autoridades americanas. Desde o retorno de Trump ao poder, os EUA endureceram o discurso contra os cartéis latino-americanos e iniciaram uma campanha no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico.

Após a captura de Nicolás Maduro, acusado pelos EUA de liderar um cartel, Lula expressou divergência com o governo Trump, defendendo que a prioridade deveria ser restabelecer a democracia na Venezuela. O governo brasileiro chegou a classificar a captura de Maduro como “sequestro” durante uma reunião da OEA.

““Os ataques à Venezuela ultrapassaram a linha do inaceitável”, afirmou Benoni Belli, representante permanente do Brasil na OEA.”

Enquanto isso, Trump colaborou com informações de inteligência para a operação que resultou na morte de “El Mencho”, líder do cartel mais procurado do México. Os EUA também enviaram militares para o Equador para operações conjuntas contra o tráfico de drogas e assinaram um acordo com o Paraguai para o envio de integrantes das Forças Armadas e do Departamento de Defesa ao país.

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