Fecombustíveis relata alta nos preços de combustíveis por distribuidoras

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A Fecombustíveis, entidade que representa cerca de 45 mil postos de combustíveis no Brasil, informou nesta quinta-feira que recebeu relatos sobre o aumento dos preços praticados por distribuidoras. Essa elevação é atribuída ao impacto da alta do petróleo no mercado internacional, decorrente do conflito no Golfo Pérsico.

Segundo a entidade, o mercado é livre e cada posto pode decidir se repassará ou não os aumentos de custos, conforme as estratégias competitivas de cada empresa. A Fecombustíveis destacou que, apesar de a Petrobras, responsável por aproximadamente 70% do abastecimento no país, não ter alterado seus preços, o mercado também é abastecido por combustíveis importados e refinarias privadas, que estão reagindo à alta do petróleo.

“Por isso, os preços nacionais são afetados pelos preços praticados no mercado externo”, afirmou a entidade. Ela acrescentou que os postos revendedores são o último elo da cadeia de comercialização e estão sujeitos ao aumento dos custos de compra dos combustíveis junto às distribuidoras, o que pode refletir nos preços ao consumidor.

A Fecombustíveis também mencionou que refinarias privadas, como Mataripe (Bahia), Clara Camarão (Rio Grande do Norte) e a do Amazonas, geralmente seguem os preços do mercado internacional. Desde o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, os preços do petróleo saltaram, resultando em riscos de navegação no Estreito de Ormuz, onde circulam 20% do petróleo global, além da redução na produção em países como Iraque e Catar.

Nesta quinta-feira, o petróleo Brent subiu US$ 4,01, ou 4,93%, alcançando US$ 85,41 por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate dos Estados Unidos subiu US$ 6,35, ou 8,51%, atingindo US$ 81,01, seu maior valor desde julho de 2024.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a empresa está avaliando o mercado e evita repassar a volatilidade global aos preços locais. Contudo, até a manhã desta quinta-feira, o desconto do diesel da Petrobras em relação ao produto importado havia atingido cerca de 30%, a maior defasagem desde 2022, segundo nota do Goldman Sachs.

O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araujo, comentou que compreende a decisão da Petrobras de esperar uma acomodação do mercado, mas acredita que já é hora de aumentar os preços internos, citando riscos de desestímulo às compras pelos importadores.

A distribuidora Ipiranga, uma das três maiores do Brasil, afirmou que acompanha continuamente as condições de mercado e pode realizar ajustes comerciais, sempre em conformidade com a legislação. A empresa ressaltou que “o preço final nos postos é definido pelos revendedores, uma vez que o mercado brasileiro opera sob o princípio da livre concorrência”. As outras duas principais distribuidoras não se manifestaram.

O IBP, que representa todas as distribuidoras, declarou que a formação de preços dos combustíveis na cadeia de distribuição nacional é livre, seguindo a dinâmica de oferta e demanda. A Fecombustíveis enfatizou a importância de esclarecer os fatos para evitar que os postos revendedores sejam injustamente responsabilizados pelo aumento dos custos de operação.

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