Economia brasileira cresce 2,3% em 2025, mas apresenta sinais de estagnação

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, conforme dados divulgados pelo IBGE. Este resultado representa o crescimento mais fraco desde 2020.

Embora em condições normais esse ritmo de expansão não fosse considerado ruim, a análise detalhada dos números revela um padrão de desaceleração. Na primeira metade do ano, impulsionada pelo desempenho da agricultura, a economia apresentou crescimento. No entanto, na segunda metade, o PIB cresceu apenas 0,0% no terceiro trimestre e 0,1% no quarto, o que é considerado um desempenho insatisfatório.

A composição do crescimento também indica um quadro delicado. A demanda interna, que cresceu 4,7% em 2024, aumentou apenas 1,7% no ano passado. O único componente que se destacou foi o consumo do governo. O consumo das famílias e o investimento desaceleraram, com o investimento encolhendo 3,5% no último trimestre de 2025.

““A crença de que gasto público é necessário para ‘fazer a economia girar’ está sendo posta à prova””

Do lado da produção, os setores de agricultura e mineração se destacaram, enquanto outros segmentos, dependentes da demanda interna, desaceleraram. A indústria de transformação, por exemplo, encolheu. Sem a contribuição da agricultura e da mineração, o crescimento do PIB teria sido ainda mais fraco, com 1,6% contra 3,9% em 2024.

O desempenho da produtividade foi decepcionante, exceto na agricultura. O produto por trabalhador nesse setor cresceu quase 14% no ano passado, enquanto nos demais setores houve uma queda de 0,3%. Isso indica que o crescimento não foi impulsionado por melhorias na produção, mas pelo aumento do número de trabalhadores.

Entre 2022 e 2025, o consumo das famílias e o consumo do governo representaram 88% do aumento do PIB, enquanto o investimento ficou com apenas 8%. Essa baixa capacidade de crescimento não é surpreendente, e quando a capacidade ociosa se esgota, surgem problemas, como a incapacidade de atender à demanda e o aumento dos preços.

O Banco Central precisou aumentar a Selic em 2024 e 2025, refletindo a baixa capacidade de crescimento em um cenário de governo gastador. Em 2026, o PIB deve crescer entre 1,5% e 2,0%, dependendo do desempenho da agricultura e da mineração, mesmo com a expectativa de queda gradual da taxa de juros.

O atual modelo de crescimento, baseado no gasto público e no estímulo ao consumo, enfrenta desafios significativos e precisa ser reavaliado.

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