Reflexões sobre ética e moral no STF e na política brasileira

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

O debate sobre a necessidade de um Código de Ética para o STF levanta questões sobre a natureza da moral. Estudos sobre comportamento moral indicam que a moral não é absoluta, mas sim complacente, semelhante ao hímen que aceita relações sem se romper.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) chegou à conclusão de que familiares podem advogar em tribunais onde há parentes, incluindo casais. Essa situação não é exclusiva do Brasil, mas reflete uma realidade mais ampla.

No livro “Introdução à Sociologia”, de Peter Berger, há um capítulo intitulado “Como trapacear e se manter ético ao mesmo tempo”, que ilustra a relação entre ética e política. Profissionais da política frequentemente se consideram éticos, apesar das contradições.

Uma ilustração dessa dinâmica é a história de uma igreja batista nos Estados Unidos que, após receber uma doação de 150 mil dólares de uma cervejaria, decidiu aceitar o dinheiro para reformas, apesar da oposição inicial. A decisão foi registrada em ata, afirmando que o dinheiro seria usado para a glória de Deus.

As bancadas temáticas no Parlamento brasileiro, como a bancada dos 3 “Bs”: boi, bala e bíblia, exemplificam como as políticas são pactuadas. A ética, muitas vezes, é apenas um discurso sem prática real.

O Brasil, rico em recursos naturais, carece de um compromisso sério com a ética. A crença na perfectibilidade humana é apresentada como uma solução, onde cada indivíduo deve se esforçar para ser melhor a cada dia.

Embora alguns possam pregar a restauração da ética no Congresso, ainda existem pessoas honestas dispostas a participar da política. A esperança deve ser ressuscitada, pois sem utopia, a vida no Brasil se torna insustentável.

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo. Este artigo é uma colaboração do Instituto Não Aceito Corrupção (INAC).

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