A seleção feminina de futebol do Irã foi obrigada a cantar o hino nacional na quinta-feira (5), antes da partida contra a Austrália na Copa da Ásia Feminina. A decisão ocorreu poucos dias após as jogadoras se recusarem a fazê-lo na estreia do torneio.
Na partida anterior, a equipe ficou em silêncio durante a execução do hino, o que foi interpretado como um gesto de desafio ao regime iraniano. As jogadoras não comentaram publicamente suas intenções, mas o silêncio foi visto como uma forma de protesto.
O governo iraniano não reagiu bem ao ato. O apresentador da mídia estatal, Mohammad Reza Shahbazi, chamou as jogadoras de “traidoras” e sugeriu que deveriam ser tratadas de forma mais severa. Fontes indicam que as jogadoras estão sob vigilância constante de agentes de segurança, incluindo indivíduos ligados à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).
As atletas foram pressionadas a demonstrar apoio ao regime, com ameaças dirigidas às suas famílias. Essa pressão levou as jogadoras a cantar o hino antes da derrota por 4 a 0 para a Austrália.
A atacante Sara Didar expressou sua preocupação com a situação das famílias das jogadoras, afirmando: “Obviamente estamos preocupadas e tristes com o que aconteceu com o Irã e nossas famílias.” A técnica Marziyeh Jafari também comentou a situação, destacando que a equipe está praticamente sem contato com o país devido a apagões de comunicação.
Apesar das dificuldades, Jafari afirmou que as jogadoras tentam manter o foco na competição. “Estamos aqui para jogar futebol profissionalmente”, disse. O próximo jogo do Irã será contra as Filipinas no domingo (8), e a equipe espera avançar no torneio.
A ativista de direitos humanos Tina Kordrostami destacou que o protesto das jogadoras exigiu “coragem extraordinária” e que a recusa em cantar o hino pode ter consequências graves para as atletas no Irã, onde a crítica ao governo é severamente reprimida.
O caso gerou pedidos de proteção às jogadoras, com especialistas alertando sobre os riscos que elas enfrentam ao retornarem ao Irã. A chanceler australiana Penny Wong manifestou apoio ao povo iraniano e pediu respeito à liberdade de expressão.

