2026 será ano desafiador para gestão da água no Brasil, diz diretora da ANA

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Brasil enfrenta um ano desafiador na gestão de recursos hídricos em 2026, com chuvas abaixo da média e a necessidade de garantir os múltiplos usos da água. A avaliação é da diretora da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Larissa Rêgo.

Desde o fim de 2025, o acompanhamento dos principais rios e reservatórios foi intensificado, uma vez que o país começou a registrar níveis de precipitação menores que o previsto. “A ANA foi criada em 2000 para implementar e coordenar a gestão integrada dos recursos hídricos e regular o acesso à água”, afirmou Larissa.

Ela destacou que, em 2010, a agência recebeu a missão de coordenar o sistema de segurança de barragens e, em 2020, foi agregada a atribuição de harmonizar a regulação dos serviços de saneamento básico. O cenário atual é diferente dos últimos três anos, pois em 2024 os reservatórios se beneficiaram do bom período de 2023, garantindo níveis confortáveis de armazenamento.

A situação começou a exigir maior atenção a partir de outubro de 2025. A ANA reforçou o acompanhamento dos níveis dos reservatórios estratégicos, especialmente em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. “Desde outubro de 2025 ampliamos o acompanhamento diário dos níveis dos reservatórios”, disse a diretora.

A preocupação está em conciliar diferentes usos da água, que atendem à geração de energia, abastecimento urbano, agricultura, turismo e dessedentação de animais. Para evitar escassez ou racionamento, a ANA mantém “salas de situação” que monitoram em tempo real os níveis dos reservatórios.

O período chuvoso no início do ano ajudou a elevar os níveis de armazenamento. No Sistema Cantareira, que abastece parte da região metropolitana de São Paulo, os reservatórios estão pouco acima de 30% da capacidade. “O percentual de armazenamento nos reservatórios do Sistema Cantareira chegou a 20,18% em 2025”, informou Larissa.

Ela explicou que, com as chuvas de fevereiro, os estoques superaram 30%, permitindo que, em março, a restrição da captação fosse diminuída para 20%. Além da gestão da água, a ANA também acompanha a segurança de barragens no país, com mais de 30 mil barragens cadastradas e cerca de 250 demandando fiscalização prioritária.

Larissa Rêgo ressaltou que os desafios na gestão da água devem se intensificar devido às mudanças climáticas. “É um ano desafiador para o Brasil. Daqui para frente, vamos necessitar de mais resiliência, planejamento e ações coordenadas”, disse.

Ela também destacou a necessidade de atenção redobrada para o Nordeste, que historicamente enfrenta longos períodos de estiagem. “No Nordeste, temos quatro meses de chuva e oito meses de extrema seca”, concluiu.

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