EUA perdem 92 mil empregos em fevereiro e geram preocupações sobre economia

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A economia dos Estados Unidos registrou a perda de 92 mil empregos em fevereiro de 2026, um resultado que surpreendeu analistas e reacendeu preocupações sobre a solidez do mercado de trabalho. Os dados foram divulgados pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), responsável pelas estatísticas trabalhistas do governo americano.

O resultado negativo contrasta com as previsões de economistas, que esperavam a criação líquida de cerca de 55 mil vagas no período. Essa retração praticamente anulou o desempenho positivo de janeiro, quando foram criados 126 mil postos de trabalho. Com isso, a taxa de desemprego subiu para 4,4% da força de trabalho.

O desempenho do mercado de trabalho reforça a percepção de fragilidade na economia americana, que ao longo de 2025 gerou em média apenas 10 mil empregos por mês, o ritmo mais fraco fora de períodos de recessão em mais de duas décadas. Para analistas, o relatório coloca em dúvida a ideia de uma recuperação consistente da economia.

A queda nas contratações foi liderada pelo setor de saúde, que enfrentou greves de profissionais médicos em estados como Nova York, Califórnia e Havaí. O setor de tecnologia também registrou cortes de empregos, e demissões no governo federal continuaram a ocorrer.

Outro sinal de fraqueza veio das revisões estatísticas, com o BLS reduzindo significativamente os números de contratações dos dois meses anteriores, cortando um total de 69 mil vagas nas estimativas iniciais. Isso indica que a economia americana pode estar mais vulnerável do que parecia.

A reação inicial dos mercados financeiros foi imediata, com os rendimentos dos títulos do Tesouro americano caindo após a divulgação do relatório. Essa queda refletiu a expectativa de uma possível desaceleração da atividade econômica, pressionando o banco central a considerar uma redução nas taxas de juros.

Embora parte desse movimento tenha sido revertida, o rendimento dos títulos de dois anos permaneceu estável em torno de 3,59%. Nos mercados futuros, investidores ainda apostam que o banco central poderá cortar juros uma ou duas vezes em 2026, com a expectativa de que o primeiro movimento ocorra apenas em setembro.

Antes da divulgação dos dados, a previsão era de uma redução já em julho. Essa situação coloca o Federal Reserve diante de um dilema, tentando sustentar o crescimento e o emprego sem permitir que a inflação volte a acelerar. A inflação anual caiu para 2,4% em janeiro, mas a escalada recente do petróleo, provocada pela guerra no Oriente Médio, ameaça pressionar os custos novamente.

O presidente do Fed, Jerome Powell, já indicou que não há pressa para reduzir juros novamente após três cortes realizados no ano anterior. No entanto, os novos dados podem complicar as decisões nas próximas reuniões do comitê de política monetária. O cenário também tem implicações políticas, com o presidente Donald Trump tentando convencer eleitores de que suas políticas econômicas estão fortalecendo a economia americana antes das eleições legislativas de novembro.

A Casa Branca tentou minimizar o impacto do relatório. Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, afirmou que os dados foram uma surpresa, mas ressaltou que a média de criação de empregos ao longo de alguns meses continua dentro do esperado. Alguns analistas pedem cautela na interpretação dos números, já que outros indicadores do mercado de trabalho permanecem relativamente sólidos.

Compartilhe esta notícia