A Meta está sendo processada na Califórnia por supostamente expor usuários em situações íntimas ao permitir que funcionários terceirizados acessassem imagens geradas por seus óculos inteligentes, como o Ray-Ban Meta. O processo foi aberto na quarta-feira (4), cinco dias após uma reportagem da imprensa sueca revelar a rotina de trabalhadores que analisam essas imagens.
Os registros acessados incluem cenas de pessoas em banheiros e em relações sexuais, além de detalhes de dados bancários e mensagens privadas. A ação judicial alega que a Meta fez propaganda enganosa e violou leis de privacidade.
Funcionários da Sama, uma empresa terceirizada do Quênia, têm acesso a essas imagens para descrever o conteúdo e treinar a inteligência artificial da Meta. Eles ajudam a IA a identificar objetos simples, mas também se deparam com imagens de momentos privados. Um funcionário relatou: “Em alguns vídeos, você pode ver alguém indo ao banheiro ou se despindo. Acho que eles [usuários] não sabem, porque, se soubessem, não estariam gravando”.
Outro trabalhador mencionou um vídeo em que um homem coloca os óculos na mesa de cabeceira e sai do quarto, permitindo que sua esposa entre e troque de roupa. Uma terceira fonte revelou que há cenas de sexo filmadas com os óculos inteligentes, o que torna a situação delicada.
Esses trabalhadores, conhecidos como “anotadores de dados”, são responsáveis por ajudar a IA a entender o que é capturado pela câmera. A Meta admite em seus termos de uso que pessoas podem ver registros feitos com os óculos inteligentes, afirmando que as imagens são borradas antes da revisão para proteger a privacidade. No entanto, fontes indicam que o filtro nem sempre funciona adequadamente.
O processo alega que os óculos foram comercializados como um produto que garante a privacidade dos usuários, citando um anúncio da empresa que dizia: “Você está no controle de seus dados e conteúdo”. O Escritório do Comissário de Informações do Reino Unido também está acionando a Meta para solicitar mais informações sobre o uso de dados pessoais.
O ICO afirmou que dispositivos que processam dados pessoais devem garantir controle e transparência aos usuários, e as alegações sobre a exposição de privacidade são preocupantes. A Meta declarou que processa imagens de acordo com seus termos de serviço e que os óculos não gravam continuamente, mas apenas após um clique no botão físico ou um comando de voz.

