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Justiça

Filha de chefe do PCC se torna assistente de acusação contra o pai

Amanda Rocha
Última atualização: 7 de março de 2026 08:00
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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A Justiça autorizou Gabrielly Sanches Palermo, filha de Gerson Palermo, chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), a atuar como assistente de acusação no processo criminal contra seu pai, no qual foi vítima de sequestro e extorsão. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) afirma que Gerson planejou o sequestro para exigir o pagamento de uma suposta dívida de $ 100 mil dólares, que estaria guardada com seu ex-sogro.

O marido de Gabrielly, Weslley Henrique Sorti de Almeida, também solicitou a habilitação como assistente de acusação. Segundo o MPMS, Gerson organizou o sequestro para exigir dinheiro de Salvador Sanches, avô da vítima, e de Weslley. O valor mencionado na investigação varia entre $ 100 mil (dólares) e € 200 mil (euros), quantia que o acusado afirmou ter deixado com o ex-sogro em 2015.

A denúncia aponta Reinaldo Silva de Farias como cúmplice no crime. Ele teria mantido Gabrielly em cativeiro e feito ligações para pressionar a família a pagar o resgate. Em uma das ameaças, enviou uma foto da vítima amarrada no chão.

O sequestro ocorreu em outubro de 2025, e a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras) investigou o caso. Gabrielly foi localizada e liberada no dia 25 de outubro, no bairro Moreninhas, em Campo Grande. Após o resgate, relatou ter sofrido agressões e ameaças durante o cativeiro. “A vítima relatou ter sido agredida com chutes, socos, puxões de cabelo e coronhadas de arma de fogo na cabeça, além de ter permanecido amarrada”, diz a denúncia.

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O marido da vítima também recebeu ameaças, e os suspeitos exigiam o pagamento do resgate, que não foi efetuado. Durante as buscas, Reinaldo Silva de Farias, de 34 anos, foi preso. Com ele, foram apreendidas armas de fogo, celulares e um veículo utilizado no crime. Inicialmente, ele foi preso em flagrante pelos crimes de extorsão mediante sequestro, posse de arma de fogo de uso restrito e ameaça. Posteriormente, recebeu liberdade provisória com uso de tornozeleira eletrônica e restrições de distância.

Gerson Palermo, preso após investigações da Polícia Federal por tráfico internacional de drogas e condenado pelo sequestro de um avião em 2000, cumpria pena em presídio federal de segurança máxima até ser liberado em 2020 por decisão judicial. Ele fugiu após romper a tornozeleira eletrônica e atualmente está na lista dos mais procurados do Sistema Único de Segurança Pública. A decisão que autorizou sua soltura foi anulada por instâncias superiores.

Na terça-feira (10), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) puniu o desembargador Divoncir Schreiner Maran com aposentadoria compulsória, após concluir um processo administrativo disciplinar sobre o caso. Gerson Palermo foi condenado a 126 anos de prisão e é apontado como liderança do PCC, facção criminosa com atuação dentro e fora dos presídios.

Palermo tem um histórico criminal que inclui o sequestro de um Boeing 727 da Vasp em 2000, onde a quadrilha roubou cerca de R$ 5,5 milhões. Em 2017, foi identificado como líder de um esquema de tráfico internacional de drogas, resultando em mais 59 anos de prisão. Somadas, suas penas chegam a quase 126 anos.

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