Autonomia financeira é prioridade para mulheres, aponta pesquisa

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Uma pesquisa divulgada neste sábado (7) aponta que ter autonomia financeira para decidir sobre a própria vida é a principal prioridade das mulheres entrevistadas. O estudo, intitulado Mulheres e Mercado de Trabalho, revela que o ambiente profissional ainda é desigual e expõe a percepção das mulheres sobre práticas discriminatórias e violentas no trabalho.

Realizada pela Consultoria Maya, a pesquisa analisou a visão de 180 mulheres sobre trabalho e vida pessoal, abrangendo diferentes perfis etários e etnorraciais, exceto indígenas. A independência financeira foi citada como prioridade por 37,3% das participantes, seguida pela saúde mental e física (31%) e pela realização profissional. Apenas uma em cada dez mulheres consultadas considera ter uma relação amorosa como meta.

“”Estamos falando de ter um salário, de ter rendimento, de ter poder de decisão, não é de poder de compra”, explicou a diretora da Consultoria Maya, Paola Carvalho.”

A autonomia financeira, segundo Paola, é fundamental para que as mulheres possam sair de relacionamentos abusivos ou proporcionar melhores condições de vida para suas famílias. Ela enfatizou que “autonomia financeira é condição para liberdade de escolha”.

Embora muitas mulheres vejam o trabalho remunerado como um caminho para a autonomia, elas enfrentam barreiras culturais que dificultam seu acesso e ascensão no mercado de trabalho, mesmo possuindo melhor formação e currículo. Entre os problemas identificados estão a discriminação e a violência. Apenas 2,3% das entrevistadas relataram ter sido preteridas em promoções devido à maternidade.

“”Primeiro [vêm] os homens, claro, depois, mulheres sem filhos e, por último, mulheres com filhos”, contou uma das mulheres ouvidas na pesquisa.”

Além disso, a violência psicológica impacta a carreira das mulheres. Mais de sete entre dez entrevistadas relataram ter sofrido com esse tipo de violência, que inclui comentários sexistas e interrupções frequentes em reuniões. Uma das mulheres relatou que seu coordenador questionou sua capacidade técnica após oferecer um cargo acima do que ela ocupava.

“”Em uma das vezes, ele teve a audácia de me pedir para conversar com o meu esposo sobre a minha decisão”, completou outra entrevistada.”

A pesquisa também revelou que a maioria das mulheres ocupa posições operacionais e intermediárias, como coordenadora e gerente, enquanto apenas 5,6% alcançaram cargos de diretoria ou de nível C. Paola Carvalho avaliou que a presença feminina diminui drasticamente à medida que os cargos se tornam mais estratégicos, evidenciando uma estrutura sexista no ambiente corporativo.

“”Em 2026, ter esses resultados é chocante”, concluiu Paola.”

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