Imagens de moradores mostram que o asfalto cedeu em um trecho da Avenida Liberdade, em Belém, onde estão em andamento obras que integram um projeto do governo estadual. O objetivo é reduzir o trânsito nos acessos à cidade.
A obra, orçada em R$ 410 milhões, é alvo de polêmica e gera preocupações entre ambientalistas e moradores tradicionais da área de proteção ambiental, incluindo indígenas, ribeirinhos e quilombolas. Eles relatam que as intervenções têm causado mudanças em suas rotinas.
Cones de trânsito foram colocados ao longo da pista para alertar sobre o risco e impedir a passagem de veículos e pedestres. O trecho danificado apresenta rachaduras espalhadas pelo asfalto e ocupa uma área extensa.
A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seinfra), responsável pela obra, informou que houve o rompimento de um bueiro, uma situação comum durante a execução de obras. A Seinfra afirmou que o problema está sendo resolvido e não altera o cronograma de entrega da avenida, que está prevista para o fim deste mês.
O governo do estado anunciou em fevereiro que a obra entrou na fase final, com mais de 85% de execução. Contudo, ainda não há uma data definida para a entrega. O portal solicitou à Seinfra a previsão de entrega da obra, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.
O projeto da avenida foi anunciado em 2020 e apresentado à Assembleia Legislativa no mesmo ano. A licitação estava prevista para 2021, mas a obra ficou parada por mais de três anos. A licença ambiental foi solicitada em junho de 2023 e emitida em setembro, poucos meses antes da 30° Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), realizada em Belém em novembro de 2025.
Embora o governo estadual considere a avenida uma obra estratégica para melhorar o trânsito na Região Metropolitana, especialistas afirmam que a obra já causa impactos ambientais significativos, mesmo antes de ser concluída. O traçado da avenida corta áreas de floresta, provocando desmatamento, mudanças em cursos d’água, fragmentação de ecossistemas e prejuízos para comunidades tradicionais.

