Peritos identificam inconsistências na defesa de Moraes sobre mensagens trocadas

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Especialistas em computação forense, peritos e policiais apontam inconsistências na explicação do ministro do STF, Alexandre de Moraes, sobre mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, no dia da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.

No dia 6 de março de 2026, Moraes afirmou que os prints das mensagens encontradas no celular de Vorcaro estavam “vinculados a pastas de outras pessoas” na lista de contatos do banqueiro. Segundo a nota, isso indicaria que as mensagens não teriam sido enviadas a ele.

““A mensagem e o respectivo contato estão na mesma pasta do computador de quem fez os prints (Vorcaro). Ou seja, fica demonstrado que as mensagens (prints) estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao Ministro Alexandre de Moraes”, diz a nota.”

Peritos, no entanto, afirmam que a organização dos arquivos após a extração de dados não permite identificar automaticamente o destinatário de uma mensagem. A análise forense de celulares não reproduz a forma como o usuário vê o aparelho no dia a dia, mas sim como bases de dados e metadados armazenados na memória.

““Os dados não são analisados como o usuário via no celular, em telas e ícones, mas como bases de dados, arquivos e metadados armazenados na memória”, explica Antonielle Freitas, especialista em direito digital e proteção de dados.”

A Polícia Federal utiliza softwares de perícia digital, como o IPED, para analisar conteúdos de celulares apreendidos. Durante a extração, o programa gera uma “assinatura digital” para cada arquivo, conhecida como hash, que permite verificar se o conteúdo foi alterado.

A organização dos dados segue critérios técnicos e não reflete necessariamente a relação entre os conteúdos. Por exemplo, uma captura de tela feita por Vorcaro no dia de sua prisão aparece armazenada na mesma pasta que o contato do senador Irajá (PSD-TO). Outra captura aparece ao lado do contato da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes.

““A organização em pastas após a extração nem sempre significa que exista uma relação direta entre os arquivos”, afirma Amanda Silva Santos, advogada criminalista.”

As mensagens atribuídas a Vorcaro foram escritas no bloco de notas do celular e enviadas como imagens de visualização única, que desaparecem após serem abertas. Apesar disso, as capturas de tela permanecem na galeria de fotos do aparelho, permitindo que investigadores recuperem as imagens.

A troca de mensagens foi revelada em reportagem da colunista do O Globo, Malu Gaspar, que informou que as mensagens foram enviadas em 17 de novembro de 2025, dia da prisão de Vorcaro. Às 17h22, Vorcaro teria enviado a mensagem: “Conseguiu bloquear?”. A conversa teria começado pela manhã, com Vorcaro mencionando que o caso estava começando a “vazar” para a imprensa.

Após a nota do STF, O Globo reafirmou as informações publicadas, afirmando que as mensagens foram retiradas do celular de Vorcaro por meio de análise técnica da Polícia Federal. O conteúdo foi obtido a partir da extração feita por um software pericial que permite visualizar simultaneamente a tela do WhatsApp e os arquivos de visualização única enviados na conversa.

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