No Dia Internacional das Mulheres, celebrado neste domingo (8), o bem-estar sexual é destacado como um pilar essencial da saúde feminina. O tema, que muitas vezes é tratado como tabu, ainda enfrenta dificuldades para ser discutido abertamente na sociedade.
Mariana Granado, ginecologista do Hospital M’Boi Mirim, gerido pelo Einstein Hospital Israelita, afirma:
““Existe uma definição clássica da Organização Mundial de Saúde (OMS) que define a saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade. Usando esse contexto como base, vemos que o bem-estar sexual é uma dimensão essencial da saúde integral.””
A sexualidade está interligada ao funcionamento global do corpo e da mente, afetando a autoestima, os relacionamentos e a percepção de autonomia pessoal. Apesar do aumento de grupos de apoio e discussões nas redes sociais, o sexo ainda é considerado um tópico impróprio para conversas, o que perpetua a confusão e a vulnerabilidade entre as mulheres.
Granado observa que:
““Quando algo é um tabu, eu não falo sobre aquilo, eu tenho receio de falar sobre aquilo, tenho medo do que pensem se eu fizer alguma pergunta sobre. Se não falamos, não nos comunicamos muitas vezes com o próprio parceiro, e é impossível ter uma vida mentalmente saudável.””
A falta de informações, até mesmo em consultas médicas, contribui para o atraso no relato de dores e desconfortos, resultando em diagnósticos imprecisos e complicações na saúde das pacientes. Larissa Cassiano, obstetra e ginecologista, destaca que muitas mulheres não recebem informações adequadas e acabam normalizando situações abusivas ou que não proporcionam prazer.
Granado também ressalta que a dificuldade de discutir sexualidade não é restrita a uma classe social específica:
““Vemos muito na prática diária mulheres de todas as classes sociais, que tiveram contextos de criação e socioculturais muito diferentes, terem as mesmas questões.””
As especialistas sugerem que a comunicação e o conhecimento são fundamentais para contornar o tabu. Granado afirma:
““Acho que essa é uma das perguntas de 1 milhão de dólares. Na minha opinião, a comunicação e o conhecimento são a chave, por meio da busca de acompanhamento profissional, quando necessário, e promoção de um diálogo aberto e livre de julgamento.””
Ela também enfatiza a importância do bem-estar emocional, que deve ser considerado em conjunto com a saúde sexual. Larissa complementa que, mesmo durante o tratamento de condições mentais, é crucial abordar a sexualidade:
““Quando temos uma pessoa com alguma questão mental, muitas vezes vai ter um reflexo de algumas medicações que diminuem o desejo sexual ou que afetam a libido.””


