No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março de 2026, Silvânia Cristian da Conceição, de 52 anos, vive o luto pela irmã, Tamara Rayani da Conceição, desaparecida desde 2024 e considerada vítima de feminicídio. Silvânia, que mora em Santa Cruz de Minas, a 162 quilômetros de Juiz de Fora, tenta obter o atestado de óbito da irmã, que nunca foi encontrado.
Em 2025, o Brasil registrou quatro feminicídios por dia e dez tentativas de assassinato a cada 24 horas. Em Juiz de Fora, os feminicídios aumentaram 200% entre 2019 e 2025, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Silvânia agora cria o filho de Tamara, que tem 13 anos, e enfrenta dificuldades para acessar suporte psicológico e benefícios.
Tamara desapareceu em 23 de outubro de 2024, após decidir terminar um relacionamento conturbado com Ivo Leite da Silva, que confessou o crime e permanece foragido. O carro de Ivo foi encontrado em Sacramento, a cerca de 500 km de distância, e vestígios de sangue humano foram localizados em um para-choque em Ritápolis.
A confissão do suspeito e as evidências não foram suficientes para encerrar o processo, pois o exame de DNA ainda não foi concluído. Silvânia desabafa: “Minha irmã virou apenas mais um número na taxa de feminicídio. A ausência de resposta desmotiva a acreditar na Justiça para nós, que somos pobres”.
O filho de Tamara, que fala da mãe todos os dias, não consegue acessar a pensão de um salário mínimo oferecida pelo Governo Federal a órfãos de feminicídio devido à falta da certidão de óbito. Silvânia pede um olhar prioritário da Justiça, ressaltando que as medidas protetivas muitas vezes não são eficazes.
Até o fechamento desta reportagem, Ivo Leite da Silva continuava foragido, e seu nome foi incluído na lista da Interpol. A Polícia Civil não respondeu sobre o andamento da investigação e do exame de DNA.


