Governo Lula edita tarifas de importação enquanto busca equilibrar contas públicas

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou uma elevação das tarifas de importação em até 20% sobre 1.200 produtos, enquanto busca equilibrar as contas públicas, que devem fechar no vermelho pelo quarto ano consecutivo.

A medida, criticada anteriormente por Lula, é uma resposta ao tarifaço imposto pelo presidente americano, Donald Trump. O governo justificou a ação como uma forma de arrecadar mais, mesmo que isso possa causar danos à economia brasileira.

Entre os produtos afetados estão máquinas, equipamentos e produtos de informática, como celulares e computadores. A alíquota sobre smartphones subiu de 16% para 20%, enquanto artigos médico-hospitalares passaram a ser taxados em 7,2%.

““Não é um aumento indiscriminado como o de Trump”, afirmou Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial do MDIC.”

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O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, defendeu a política como parte de um esforço para fortalecer a indústria nacional. Analistas estimam que o impacto total da medida pode chegar a R$ 14 bilhões.

Após uma reação negativa, o governo recuou e reduziu as tarifas de alguns itens, como computadores e celulares, que permanecem com a taxa de 16%. Essa nova tentativa de fortalecer a indústria por meio de barreiras comerciais é vista como uma estratégia antiga e frequentemente ineficaz.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu apenas 2,3% em 2025, com uma desaceleração acentuada no último trimestre, onde a expansão foi de apenas 0,1%. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, enfrenta o desafio de entregar um superávit primário de 0,25% do PIB em 2026, o que representa cerca de R$ 34 bilhões.

Entretanto, a realidade das contas públicas é preocupante, com um déficit acumulado de R$ 62 bilhões até janeiro. Especialistas alertam que a perda de arrecadação prevista com o aumento das tarifas pode dificultar ainda mais o cumprimento das metas fiscais.

O orçamento deste ano prevê R$ 57 bilhões em despesas fora da meta fiscal, transformando o superávit prometido em um déficit de cerca de R$ 23 bilhões. As manobras contábeis têm gerado desconfiança no mercado, que projeta um rombo próximo de R$ 63 bilhões.

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A dívida pública, que era de 71% do PIB em 2023, já chega a 79% e deve ultrapassar 86% em 2027, segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI). O aumento da dívida é impulsionado por despesas obrigatórias, como a Previdência, e pressiona os juros, encarecendo o financiamento do governo.

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