No sudoeste do Paraná, produtoras rurais têm se destacado pela força feminina no agronegócio. A médica veterinária Franciele Gusatto, de 33 anos, comanda a propriedade da família em Francisco Beltrão, onde supervisiona a produção de leite e o atendimento clínico de quase 600 animais, incluindo 210 vacas em lactação.
Franciele destaca o apoio dos pais em sua trajetória: “Eles sempre me incentivaram a seguir, a não ter medo das coisas e a enfrentar preconceitos, como uma mulher de fibra e de coragem”. Em 2017, as mulheres representavam 18% dos trabalhadores rurais no Brasil, segundo o IBGE. Contudo, ela observa uma mudança significativa no campo, com um aumento no número de mulheres que buscam informações e fazem negócios.
“Aqui, comercializamos animais, genética, e [muitas vezes] os homens que vinham procurar se tinha novilha. Hoje não, a maior parte são produtoras mulheres, que vêm perguntar, falar de valor, com poder de decisão”, ressalta Franciele.
Além de sua rotina como produtora, Franciele também desempenha o papel de mãe. “Para ser mãe também tem que ter tempo, tem que brincar, ficar junto. Encontrar esse equilíbrio hoje, para as mulheres, acredito que é um grande desafio”, afirma.
Outra produtora, Joice Lopes, que planta grãos não-transgênicos em Ampére, também no sudoeste do Paraná, conta que seus filhos a ajudam na lavoura. Joice, que possui mestrado e está finalizando o doutorado, destaca a importância de se impor em um mercado predominantemente masculino. “É você se impor em um mercado onde 90% são homens, tirar aquele olhar malicioso e transformar em um olhar de respeito”, diz.
Ela relata que, apesar das mudanças, ainda existem desafios. “Ainda encontramos aqueles machistas de dizer que ‘Negócio com mulher eu não faço’, ou que tentam enrolar mulheres de alguma forma em negociações”, observa Joice. Para ela, o conhecimento é a ferramenta mais importante para as mulheres conquistarem espaço no agronegócio.
“Mas, hoje, temos muita informação, eu sempre fiz muitos cursos profissionalizantes, cursos de empreendedorismo rural, por exemplo”, acrescenta. Apesar das dificuldades, a paixão pela lavoura permanece. “É você olhar, colocar aquele grão na terra e ver o milagre acontecendo, aquilo se transformando em um alimento”, finaliza Joice.


