Aos 60 anos, Margareth Serrão, mãe da influenciadora Virginia Fonseca, passou por um conjunto de procedimentos estéticos e compartilhou o resultado nas redes sociais. Entre as cirurgias realizadas estão abdominoplastia, colocação de próteses de silicone e lipoenxertia glútea.
Com a repercussão, a coluna GENTE conversou com Joana Novaes, professora do programa de pós-graduação em Psicanálise, Saúde e Sociedade da UVA e coordenadora do núcleo de Doença e Beleza da PUC-Rio, sobre as problemáticas em expor tais intervenções de maneira comemorativa para milhões de seguidores.
““Quando figuras públicas celebram procedimentos estéticos como uma conquista, que mensagem simbólica elas transmitem?””
Joana Novaes destacou que, por trás da venda da imagem de uma mãe que se alinha aos princípios estéticos, como as Kardashians, existe uma dinastia de pessoas que investem pesadamente em estar dentro dos padrões, considerando isso um traço de distinção e privilégio. Ela observou que a exposição desse tipo de protocolo estético com orgulho coloca a figura pública em um lugar de referência e poder, onde dita aos seguidores qual corpo devem ter.
““Ao expor esse tipo de protocolo estético com orgulho, você se coloca num lugar de referência e poder, onde dita para seus seguidores qual o corpo que eles devem ter.””
Novaes também abordou a recepção pública de procedimentos estéticos realizados por mulheres mais velhas. Segundo ela, a lógica que molda o imaginário social não muda: não se justifica deixar-se enfear, entendendo-se por isso a velhice e a gordura. A professora apontou que, no caso de mulheres mais velhas, há uma intolerância maior e questionamentos sobre por que não utilizam todas as práticas disponíveis no mercado.
““A responsabilidade pelo corpo recai inteiramente sobre você, que deve suportar dor, sangue, suor, lágrimas, se endividar. Tudo por esse corpo: obra de arte, objeto de consumo.””
Além disso, Novaes comentou sobre como casos como o de Margareth podem gerar comparação ou frustração em outras mulheres, reproduzindo uma lógica patriarcal e mercantilista. Ela enfatizou que a performance do sujeito está ancorada na aparência e que, se não houver investimento na “capa”, o valor de mercado da pessoa pode decair.
““O caráter mais perverso que a gente tem que ficar mais atento é que essas cirurgias são vendidas como práticas saudáveis.””


