Nos últimos três dias, surgiram diversas análises e opiniões sobre a troca de mensagens entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente detento. Especialistas afirmam que Moraes deve explicações à sociedade sobre essa relação com Vorcaro, que é considerado um gângster.
Contudo, com as informações disponíveis, a cobrança de explicações pode estar sendo direcionada à pessoa errada. Dois pontos tornam a interação entre o ministro e o criminoso bilionário bastante suspeita. O primeiro é que as mensagens foram trocadas nos momentos que antecederam a primeira prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025, e o ministro respondeu com mensagens de visualização única, impossibilitando a divulgação do conteúdo. O segundo ponto é o contrato entre Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, que previa pagamentos de aproximadamente R$ 129 milhões ao longo de três anos.
A confirmação técnica da Polícia Federal sobre a troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro levanta indícios de que o ministro poderia estar atuando como funcionário de Vorcaro, com o contrato da esposa servindo como pagamento por serviços prestados pelo próprio Moraes. Essa situação é ainda mais grave, pois o contato ocorreu no dia da prisão de Vorcaro, quando ele tentava salvar seu banco.
Assim, a pressão deve recair sobre Paulo Gonet, procurador-geral da República, que, segundo a Constituição Federal, tem a atribuição exclusiva de instaurar inquéritos e oferecer denúncias contra ministros do STF. Gonet ainda não tomou nenhuma iniciativa em relação a esse caso, o que levanta questionamentos sobre sua atuação.
Além disso, Gonet também não iniciou investigações sobre as relações do ministro Dias Toffoli com Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, que também está detido. Relatórios da Polícia Federal indicam que Vorcaro fez aportes financeiros à empresa da família de Toffoli, que administrava o resort Tayayá.
A inércia de Gonet em relação a Toffoli é ainda mais preocupante, já que ele integra a Segunda Turma do STF, que se reunirá em 13 de março para discutir a decisão que autorizou a prisão preventiva de Vorcaro. Se nada for feito, a sociedade poderá presenciar um cenário absurdo, onde um ministro suspeito decide sobre a prisão de um gângster.
Por outro lado, o escândalo do Master pode trazer à tona a criminalidade institucionalizada que estava oculta. O senador Alessandro Vieira (MDB-Sergipe), relator da CPI do Crime Organizado, comentou que o Brasil já viu presidentes e governadores processados e presos, e que em breve ministros dos tribunais superiores poderão se juntar a essa lista.


