O nervo vago, parte do sistema nervoso, ganhou destaque nas redes sociais, onde pessoas tentam “ativá-lo” de diversas maneiras.
As práticas incluem cantar, fazer sons graves, gargarejar e mergulhar o rosto em água gelada. Influenciadores o apresentam como um “interruptor mestre” para calma, digestão e equilíbrio emocional.
Embora essas atividades sejam populares, o nervo vago é um nervo físico e essencial, não apenas uma tendência de bem-estar.
No quarto episódio do podcast Strange Health, especialistas discutem o que o nervo vago realmente faz e se é possível “hackeá-lo”. Arshad Majid, professor de neurologia cerebrovascular na Universidade de Sheffield, explica que o nervo vago é um dos 12 nervos cranianos que emergem do cérebro.
O nervo vago conecta-se a órgãos como coração, pulmões, intestinos e fígado, e é fundamental para a comunicação entre o corpo e o cérebro. Ele faz parte do sistema nervoso autônomo, que regula funções involuntárias como frequência cardíaca e digestão.
Quando o sistema parassimpático predomina, o corpo entra em um estado de calma e recuperação, mas a capacidade de influenciar esse processo por conta própria é incerta.
Majid alerta que, embora algumas técnicas possam impactar indiretamente a atividade do nervo vago, ele não funciona como um botão de liga e desliga, e os efeitos podem variar entre as pessoas.
A estimulação do nervo vago já é utilizada na medicina para tratar condições como epilepsia e depressão, com dispositivos implantados. Pesquisadores também investigam métodos não invasivos, como a estimulação de um ramo do nervo na orelha.
Majid e sua equipe estão realizando um ensaio clínico para avaliar se essa estimulação pode melhorar a função do braço em pacientes em recuperação de AVC. Se bem-sucedido, isso pode revolucionar a reabilitação.
Embora o interesse pelo nervo vago esteja crescendo, a ciência ainda está explorando suas capacidades e aplicações terapêuticas.


