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Economia

Conflito no Oriente Médio provoca alta nos preços de grãos e petróleo

Amanda Rocha
Última atualização: 9 de março de 2026 08:45
Amanda Rocha
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Tempo: 5 min.
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A intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio provocou forte volatilidade nos mercados internacionais nesta segunda-feira, 9 de março de 2026, com reflexos diretos nas cotações de grãos negociados na bolsa de Chicago, que apresentaram forte alta.

O barril de petróleo chegou a superar US$ 100 e, em momentos da abertura da semana, aproximou-se de US$ 120. O aumento ocorre após dez dias de escalada militar na região do Golfo Pérsico, enquanto o Estreito de Ormuz permanece bloqueado, apesar das tentativas dos Estados Unidos de restabelecer o tráfego marítimo.

Com a interrupção parcial das rotas, petroleiros e navios de carga seguem retidos no Golfo Pérsico. Ao mesmo tempo, países produtores como Iraque e Kuwait enfrentam paralisações parciais na produção devido à saturação de estoques, ampliando os riscos para o abastecimento global de energia.

Segundo análise do consultor Luiz Pacheco, da TF Consultoria Agroeconômica, a reação nos mercados de commodities foi imediata. O petróleo tipo WTI acumulou alta semanal de 35,6%, movimento que repercutiu também nos preços agrícolas. Na bolsa de Chicago, os fundos de investimento retomaram compras no fim da semana passada, impulsionados pelo avanço do petróleo e pelas preocupações com o fornecimento global de fertilizantes.

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““O Golfo Pérsico responde por uma parcela significativa da produção global de gás, ureia e enxofre. Isso impulsionou os preços dessas commodities estratégicas. A alta dos preços da energia, o impacto potencial sobre os fertilizantes e o ambiente inflacionário estão criando condições que podem incentivar maiores investimentos de fundos em commodities agrícolas”, explicou Pacheco.”

Entre os grãos, o trigo apresentou as maiores altas e alcançou o nível mais elevado desde meados de 2014, apoiado também pela cobertura de posições vendidas anteriormente acumuladas por fundos. O milho chegou a registrar o maior preço em cerca de dez meses, embora tenha recuado posteriormente. A consultoria Granar acrescentou que a alta do milho é impulsionada pela demanda do etanol.

““Tanto é assim que, diante dessa conjuntura, legisladores dos principais Estados agrícolas dos EUA voltam a pedir a aprovação de uma lei de emergência que permita a venda do E-15 durante todo o ano, já que isso estimularia a demanda interna por milho”, afirmou a consultoria.”

Após completar na sexta-feira a quinta semana consecutiva de alta, a soja voltou a subir com força no pregão noturno de Chicago, impulsionada novamente pelo óleo de soja, que continua a trajetória de alta que o levou ao nível de preços mais alto em dois anos. O óleo de soja acumulou valorização semanal de 7,65% no contrato com vencimento em maio de 2026 em Chicago.

Outros mercados ligados ao setor energético também reagiram, como o óleo de palma da Malásia, que registrou forte alta, pontuou Pacheco. Segundo a Granar, nesse momento, “não há outra razão [para a alta do complexo soja] além das consequências da guerra que, ao disparar as cotações do petróleo e, com elas, os preços dos combustíveis, abriram espaço para um maior impulso aos biocombustíveis, a fim de amenizar os possíveis efeitos inflacionários do aumento do petróleo”.

“Será importante observar, no restante do pregão, a atitude dos investidores caso se confirme a trajetória de queda do setor bursátil, pois isso poderia abrir alguma janela para realização de lucros no mercado de grãos”, pontuou a consultoria.

O cenário de alta do petróleo e possível impacto nos fertilizantes também ocorre em meio a um ambiente de maior aversão ao risco nos mercados financeiros globais. Bolsas de valores na Ásia, Europa e Estados Unidos registraram quedas, enquanto o dólar se fortaleceu como ativo considerado mais seguro, pontuou o analista.

No Brasil, o aumento do preço do diesel começa a gerar preocupação nos setores agrícola e de logística, especialmente em um período de intensificação do escoamento da safra. No curto prazo, a atenção do mercado também se volta para a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para esta terça-feira, 10 de março de 2026. A expectativa, no entanto, é de que o documento tenha impacto limitado, já que o foco dos investidores permanece na evolução do conflito no Golfo Pérsico e em seus possíveis efeitos sobre os mercados de energia e commodities agrícolas.

TAGGED:conflitoEconomiaEstados UnidosGolfo PérsicoGranarGrãosLuiz PachecomercadosPetróleoTF Consultoria Agroeconômica
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