Um novo estudo publicado no Journal of Sports Sciences investiga como jogadores iniciantes de xadrez, com até dois anos de prática, desenvolvem a sua visão de jogo. A pesquisa avaliou 51 universitários, com média de 20 anos, e identificou que o reconhecimento de padrões é o principal preditor de variância no Rating Elo, sistema que mede a força de um enxadrista.
Os dados revelaram que essa habilidade explica 35% do desempenho dos atletas novatos. O estudo utilizou a Teoria dos Chunks para analisar o comportamento cerebral dos jogadores. Conforme o jogador evolui, ele passa a processar grupos de peças como uma única unidade de informação, em vez de enxergar cada peça individualmente.
A pesquisa também demonstrou diferenças na eficiência mental em testes de contexto real e aleatório. Em situações extraídas de partidas verídicas, os novatos acertaram a posição de 4,70 peças em média. Já em contextos aleatórios, o desempenho caiu para 3,65 peças. Isso indica que o cérebro iniciante possui uma sensibilidade semântica que ajuda a reter informações táticas.
Uma das descobertas do estudo foi que a memória de trabalho visual-espacial e o reconhecimento de padrões funcionam como trilhos independentes. Os cientistas perceberam que uma memória privilegiada pode ajudar, mas não é determinante para a capacidade do jogador de identificar padrões durante o jogo.
O estudo também sugere que muitos iniciantes acreditam que precisam estar sempre dez jogadas à frente do adversário. No entanto, a pesquisa indica que essa abordagem é menos eficaz nessa fase. Como os novatos ainda não formaram uma biblioteca sólida de chunks, eles não têm base suficiente para avaliar múltiplas possibilidades futuras com precisão.
Para melhorar, o treinamento deve focar em momentos de exposição a configurações comuns e motivos táticos, em vez de pura memorização dos movimentos. Isso ajuda o jogador a transformar o tabuleiro de xadrez em um desafio estruturado, ao invés de um labirinto confuso.
O Rating Elo dos participantes foi estimado por meio de um teste padronizado de 10 posições táticas. O artigo intitulado Cognitive foundations of chess performance in novice players, desenvolvido por Isidoro Astudillo-Sandoval e outros, foi publicado em fevereiro de 2026. A pesquisa envolveu instituições como a Universidade Autônoma do Estado de Morelos e a Universidade Nacional Autônoma do México, além da Universidade “G. d’Annunzio” de Chieti-Pescara, na Itália.


