Em entrevista exclusiva, Kamal Kharazi, assessor de política externa do gabinete do líder supremo do Irã, afirmou que não vê espaço para diplomacia no momento e que a guerra só terminará com pressão econômica.
Kharazi alertou que o regime iraniano está preparado para uma longa guerra com os Estados Unidos e está disposto a continuar atacando os países do Golfo para persuadi-los a convencer o presidente Donald Trump a recuar.
““Não vejo mais espaço para diplomacia. Donald Trump tem enganado os outros e não tem cumprido suas promessas, e vivenciamos isso em duas ocasiões durante as negociações – enquanto estávamos negociando, fomos atacados”, disse Kharazi.”
Ele acrescentou:
““Não há espaço para mais nada, a menos que a pressão econômica aumente a ponto de outros países intervirem para garantir o fim da agressão de americanos e israelenses contra o Irã.””
Kharazi sugeriu que os países árabes do Golfo e outras nações precisam pressionar os EUA para que encerrem a guerra. Ele destacou que a guerra tem gerado pressão econômica sobre outros países, levando a inflação e escassez de energia.
““Esta guerra tem gerado muita pressão – pressão econômica – sobre outros países, em termos de inflação, de escassez de energia, e se continuar, essa pressão aumentará ainda mais, e, portanto, outros países não terão outra escolha senão intervir”, afirmou.”
Desde o início da guerra, o Irã atacou diversos países do Oriente Médio, visando interesses americanos, mas também atingindo prédios residenciais e aeroportos. Um porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica informou que o Irã está usando 60% de seu poder de fogo para atacar bases americanas e “interesses estratégicos” na região.
Além disso, Mojtaba Khamenei, o segundo filho de Ali Khamenei, foi nomeado ao cargo mais alto do país, indicando uma possível escalada no conflito. Kharazi confirmou a união das Forças Armadas iranianas e da liderança suprema.
““Sim, exatamente”, respondeu Kharazi quando questionado sobre a unidade entre as Forças Armadas e a liderança suprema.”
Os ataques iranianos também impactaram o comércio global de energia, com o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz praticamente colapsando. Os preços do petróleo bruto ultrapassaram os US$ 100 (equivalente a cerca de R$ 521) por barril, afetando consumidores e o mercado de ações.
Estima-se que 20% do fornecimento mundial de petróleo tenha sido interrompido pela guerra, o que é aproximadamente o dobro do recorde estabelecido durante a Crise de Suez de 1956 e 1957, segundo dados do Rapidan Energy Group.


