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Mãe e filho resgatados de cárcere privado em Araras, SP

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Uma mulher de 42 anos e seu filho de 13 foram resgatados de um cárcere privado em Araras, interior de São Paulo, no último sábado (7). O marido e pai do garoto, João Batista de Pallace, de 56 anos, foi preso em flagrante.

Segundo a Guarda Civil Municipal (GCM), o resgate ocorreu após o adolescente conseguir acesso a um celular e pedir ajuda à família. “Assim que ela viu a guarnição, de imediato ela já começou a chorar pedindo socorro e disse que vivia há vários anos em cárcere privado. Ela informou onde o marido trabalhava e disse para termos cuidado porque ele andava armado”, relatou o guarda municipal Fábio Arantes.

O caso foi registrado como cárcere privado, ameaça, injúria, violência psicológica contra a mulher e lesão corporal. A GCM informou que a casa onde a família vivia tinha janelas bloqueadas, grades na fachada e pallets impedindo a entrada. O adolescente não frequentava a escola desde os 7 anos e era analfabeto.

A mulher relatou que vivia sob ameaças do companheiro e que raramente podia sair de casa sozinha. Quando saía, era sempre acompanhada e obrigada a manter a cabeça baixa dentro do carro para não ser vista pelos vizinhos. A irmã da vítima afirmou que o suspeito controlava o contato da esposa com parentes e restringia visitas e o uso do telefone.

A irmã também disse que desconfiava da situação há cerca de um ano, após receber ligações em que a mulher relatava episódios de violência doméstica. Mãe e filho foram encaminhados para um local seguro e recebem apoio da família. “Estamos muito aliviados de ver ela fora do cativeiro. Graças a Deus ela decidiu pedir socorro. Vamos fazer de tudo para amparar ela e o filho”, afirmou a parente.

A delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Araras, Evelyn Kafa, investiga há quanto tempo a mulher era mantida em cárcere. Ela destacou que a vítima era controlada até nos momentos em que saía de casa. Durante as investigações, a polícia descobriu que o filho foi impedido de frequentar a escola desde os 7 anos, com o pai alegando que ensinava o menino em casa.

O boletim de ocorrência foi registrado na madrugada de 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Durante o depoimento, a mulher relatou que ouvia frequentemente frases machistas do companheiro, que dizia que mulheres “não serviam para nada” e não tinham direito de falar. O suspeito foi levado para a cadeia de Limeira e permanece à disposição da Justiça.

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