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Ódio contra mulheres nas redes é tema do Caminhos da Reportagem

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O programa Caminhos da Reportagem apresenta, nesta segunda-feira (9), às 23h, uma discussão sobre o discurso de ódio contra mulheres nas redes sociais. O episódio intitulado A nova roupa do machismo aborda como a monetização e o engajamento gerados por esse discurso impactam a vida das mulheres.

As estratégias utilizadas para atacar mulheres incluem memes, ameaças, dados vazados e deepfakes pornográficos. O ambiente virtual reflete a sociedade, e o discurso de ódio se torna lucrativo para misóginos e plataformas digitais.

Em 2025, o Brasil registrou um aumento alarmante nos casos de feminicídio, com quatro mulheres mortas por dia, conforme dados do Ministério de Justiça e Segurança Pública. Embora a correlação com o aumento do discurso de ódio na internet ainda não seja clara, a violência de gênero tem crescido tanto online quanto offline.

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas monitorou 85 comunidades virtuais de ódio e constatou um crescimento de quase 600 vezes no envio de conteúdo misógino entre 2019 e 2025. A pesquisadora Julie Ricard observa que muitos homens se sentem ameaçados pelo empoderamento feminino.

A musicista Bruna Volpi é uma das entrevistadas e relata ter sido alvo de ameaças por criticar o comportamento masculino. Ela recebeu mensagens de um executivo que a ameaçou com a divulgação de seus dados pessoais.

A Safernet, ONG de proteção de direitos digitais, registrou um aumento de 220% nas denúncias de crimes online de misoginia entre 2024 e 2025. A escritora Márcia Tiburi acredita que a resistência das mulheres ao patriarcado é vista como um ataque à masculinidade.

A ativista Lola Aronovich, que sofre ataques há mais de 15 anos, teve seus dados vazados e um site criado para difamá-la. Dois homens foram condenados, sendo um deles o primeiro preso no Brasil por terrorismo digital, cumprindo 41 anos de prisão. Esse caso levou à criação da Lei 13.642/2018, que designa à Polícia Federal a investigação de crimes digitais misóginos.

O delegado Flávio Rolim, da Polícia Federal, afirma que esses crimes normalizam a violência contra as mulheres. Em janeiro, a Meta permitiu acusações de “anormalidade mental relacionadas a gênero ou orientação sexual”, o que representa um retrocesso nas políticas de moderação.

Atualmente, não existe uma legislação específica no Brasil que criminalize a misoginia. Mulheres em áreas predominantemente masculinas, como a comentarista Layze Pinto Brandão e a jornalista Luciana Zogaib, enfrentam discursos de ódio. Layze acredita que uma legislação poderia inibir esses comportamentos.

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