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Austrália concede vistos humanitários a jogadoras da seleção feminina do Irã

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Austrália anunciou nesta segunda-feira (9) a concessão de vistos humanitários a cinco jogadoras da seleção feminina de futebol do Irã. A decisão ocorreu após um apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O Ministro do Interior australiano, Tony Burke, comunicou a notícia a repórteres, afirmando que outros membros da equipe também seriam bem-vindos a permanecer no país, caso desejassem.

O governo iraniano classificou as jogadoras como “traidoras em tempos de guerra” após elas se recusarem a cantar o hino nacional antes de uma partida da Copa da Ásia, que está sendo realizada na Austrália.

A seleção iraniana foi eliminada no último jogo, perdendo por 2 a 0 para as Filipinas, e deveria retornar ao Irã. No entanto, associações de torcedores iniciaram um movimento pedindo que a Austrália concedesse asilo ao time, alegando que as jogadoras enviavam sinais de socorro durante as partidas e pela janela do hotel onde estavam hospedadas.

Trump afirmou ter conversado com o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, sobre a situação. Em sua rede social Truth Social, ele declarou que a Austrália estava “cometendo um terrível erro humanitário” ao permitir que a seleção feminina fosse enviada de volta ao Irã, onde, segundo ele, as jogadoras poderiam ser mortas.

Após a publicação de Trump, ele disse que Albanese confirmou que cinco jogadoras já haviam sido “atendidas” pelo governo australiano. A declaração do presidente dos EUA contrasta com a política anti-imigração de seu governo, que deportou centenas de iranianos no ano anterior.

A Associação Internacional de Jogadores de Futebol (FIFPRO) expressou “sérias preocupações” com a segurança da seleção feminina iraniana. A campanha das jogadoras na Copa da Ásia começou no último fim de semana, coincidentemente com ataques aéreos dos EUA e Israel contra o Irã.

Mais de 66 mil pessoas assinaram uma petição pedindo ao governo australiano que garantisse que as jogadoras não deixassem o país enquanto persistissem os temores por sua segurança. O presidente da FIFPRO para a Ásia e Oceania, Beau Busch, afirmou que a organização não conseguiu contatar as jogadoras para discutir a possibilidade de pedir asilo.

Busch destacou a preocupação com a segurança das jogadoras e mencionou que a organização está trabalhando com a FIFA, a Confederação Asiática de Futebol e o governo australiano para garantir que as jogadoras tenham autonomia sobre suas decisões futuras.

A decisão das jogadoras de permanecer em silêncio durante o hino nacional do Irã foi considerada por um comentarista da emissora estatal iraniana como o “ápice da desonra”. A técnica da seleção, Marziyeh Jafari, afirmou que as jogadoras estavam ansiosas para retornar ao país.

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