Um estudo publicado na revista científica BMC Medicine indica que o efeito sanfona, caracterizado pela oscilação entre perder e ganhar peso rapidamente, pode ter benefícios para o organismo. A pesquisa sugere que esses ciclos podem impactar não apenas o peso, mas também a composição corporal, especialmente a gordura visceral.
A gordura visceral, que se acumula na cavidade abdominal, pode interferir no funcionamento de diversos órgãos e está associada a riscos de síndrome metabólica e doenças cardiovasculares. A professora Iris Shai, da Ben-Gurion University e uma das autoras do estudo, explica que retornar ao peso inicial não implica necessariamente voltar ao mesmo nível de risco.
“”Os participantes puderam recuperar o peso mantendo uma distribuição de gordura abdominal mais favorável, além de melhor sensibilidade à insulina e perfil lipídico mais favorável”, destaca a pesquisadora.”
O estudo acompanhou participantes de dois ensaios clínicos por cinco e dez anos, envolvendo aproximadamente 500 pessoas e com duração de 18 meses cada. As intervenções incluíram dietas mediterrâneas e atividade física, comparadas a dietas controle, com exames de ressonância magnética realizados antes e depois de cada intervenção.
Os resultados mostraram que, embora os participantes iniciassem a segunda intervenção com peso semelhante ao da primeira, o perfil de gordura abdominal e os marcadores metabólicos apresentaram melhorias entre 15% e 25% em relação aos valores iniciais.
“”Isso apoia a ideia de uma ‘memória cardiometabólica’ – um benefício residual que pode persistir apesar do reganho de peso, potencialmente impulsionado por uma combinação de adaptações em nível tecidual e hábitos de estilo de vida mais duradouros”, analisa Shai.”
A professora ressalta que o sucesso do emagrecimento não deve ser avaliado apenas pelo peso corporal, mas também pelas mudanças na gordura abdominal, especialmente a visceral, que é prejudicial por se localizar ao redor dos órgãos internos.
Os próximos passos do estudo incluem testar se esses padrões de benefícios residuais se mantêm em populações mais diversas, examinar mediadores como qualidade da dieta e padrões de atividade física, e explorar mecanismos biológicos relacionados ao gasto energético e à dinâmica do tecido adiposo.


