Uma comissão independente das Nações Unidas acusou a Rússia de cometer crimes contra a humanidade ao deportar crianças da Ucrânia para seu território. O relatório foi publicado nesta terça-feira, 10 de março de 2026, e afirma que Moscou transferiu forçadamente ao menos 1.205 menores de idade, adiando a repatriação de forma indevida.
“As evidências reunidas levam a comissão a concluir que as autoridades russas cometeram crimes contra a humanidade por deportação e transferência forçada, assim como pelo desaparecimento forçado de crianças”, afirmou a Comissão Internacional Independente de Investigação sobre a Ucrânia.
No documento, o comitê indica que Moscou foi responsável por deportar milhares de crianças das zonas ocupadas por seu exército na Ucrânia. Segundo a comissão, as transferências violam o direito internacional humanitário e não foram realizadas visando garantir o melhor interesse das crianças, ao contrário do que é alegado pelo Kremlin.
Moscou defende que a deportação de jovens ucranianos de suas casas ou orfanatos foi uma medida para protegê-los de danos colaterais em meio às hostilidades. No entanto, a comissão aponta que as retiradas devem ser temporárias, mas 80% das crianças levadas para a Rússia não retornaram às suas casas, e o Kremlin não estabeleceu um sistema que facilite seu regresso.
Os investigadores confirmaram a deportação ou transferência de pelo menos 1.205 crianças ucranianas. O governo de Kiev, por outro lado, defende que o número é muito maior, com estimativas que giram em torno de 20 mil jovens. O tema é sensível para o governo de Volodymyr Zelensky, que denunciou a ação na Assembleia Geral das Nações Unidas em 2025.
““Essas crianças na Rússia são ensinadas a odiar a Ucrânia e todos os laços com as suas famílias são rompidos. Isso é claramente um genocídio”, disse o presidente ucraniano na ocasião.”
O caso já havia resultado em uma ordem de prisão para o presidente russo Vladimir Putin em 2023, quando o Tribunal Penal Internacional em Haia apontou a responsabilidade do mandatário na ação. “Os crimes supostamente foram cometidos em território ucraniano, pelo menos desde 24 de fevereiro de 2022. Existem motivos razoáveis para crer que Putin tem responsabilidade penal individual”, argumentou o TPI à época.


