O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), defendeu a Corte nesta terça-feira, 10 de março de 2026, afirmando que ela “mais acerta do que erra”. A declaração foi feita durante o julgamento da primeira ação penal no STF envolvendo deputados federais acusados de desvio de emendas parlamentares.
Dino destacou uma “falta de moderação, prudência e cuidado” nas avaliações sobre o papel das instituições, especialmente em relação ao Supremo. Ele mencionou uma “perda de equilíbrio” na forma como se avalia a atuação do tribunal.
O processo investiga a atuação de uma suposta organização criminosa liderada pelos deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e pelo suplente Bosco Costa (PL-SE). A acusação afirma que o grupo teria cobrado propina de 25% sobre os recursos públicos liberados.
Durante as sustentações orais, as defesas argumentaram que não há confirmação de que os valores citados na denúncia tenham origem em emendas parlamentares e que faltam provas de participação direta dos deputados na destinação dessas verbas.
Flávio Dino, relator de diversos processos que questionam a constitucionalidade dos mecanismos de distribuição de emendas, afirmou que um dos “gigantescos acertos” do STF foi exigir maior transparência e rastreabilidade na aplicação desses recursos.
““Sem dúvidas, essa referência à ministra Rosa Weber e a esse acerto do Supremo é especialmente importante quando falta moderação, prudência e cuidado em reconhecer que este Supremo que erra (e erra como instituição humana), acerta também. Acerta muito e acerta mais do que erra”, disse Dino.”
A fala do ministro ocorre em meio a uma nova crise envolvendo o tribunal, com a divulgação de mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, relacionadas a fraudes financeiras do Banco Master. O conteúdo indicaria supostas interlocuções direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes no dia da primeira prisão do banqueiro.

