Matthieu Blazy apresentou sua coleção outono/inverno 2026 da Chanel no Grand Palais, em Paris, em 10 de março de 2026. O desfile foi um exercício de tempo, com décadas se sobrepondo e códigos históricos sendo reinterpretados, tendo como ponto de partida o tailleur Chanel.
O cenário do desfile, com guindastes coloridos, sugeria uma construção de legado na moda. Blazy levou o público a uma viagem por diferentes épocas, dos anos 1920 até os dias atuais, mostrando como uma mesma estrutura pode gerar diversas interpretações.
A estilista Gabrielle Coco Chanel sempre acreditou que a roupa deveria libertar. “Precisamos de vestidos que rastejam e de vestidos que voam”, disse a criadora em 1950. Essa ambivalência entre simplicidade e espetáculo permeia toda a coleção de Blazy.
O desfile começou com a modelo Stéphanie Cavalli vestindo um conjunto preto de tricô. O look seguinte era quase idêntico, em branco, enfatizando que a Chanel parte do essencial. O bloco inicial explorou os códigos básicos do guarda-roupa moderno, muitos deles herdados de peças masculinas que Coco Chanel incorporou ao seu estilo.
A silhueta dos anos 1920, uma assinatura de Blazy, foi ainda mais marcada, com cinturas descendo e saias ganhando cintos posicionados abaixo do quadril. Essa imagem poderosa parece falar de depuração, com menos excesso e mais foco no corpo e na relação íntima entre quem veste e o que escolhe vestir.
Referências históricas apareceram como ecos, com conjuntos de saia de cintura baixa, vestidos halter dos anos 1960 e blazers amplos dos anos 1980. O clássico tweed da maison foi apresentado em tons inesperados, como laranja e rosa, e versões futuristas em lurex metálico.
Blazy imaginou Gabrielle Coco Chanel vivendo em 2026, afirmando: “Quero que minhas roupas sejam uma tela para que as mulheres sejam quem realmente são — e quem querem ser”. Essa ideia de roupa como plataforma, e não como fantasia, se refletiu na atmosfera do desfile, com estrelas como Margot Robbie e Oprah Winfrey assistindo vestidas de Chanel.
As lojas da maison em Paris têm registrado filas de até uma hora desde a chegada da primeira coleção de Blazy, evidenciando a adesão à marca. O inverno 2026 de Matthieu Blazy mostra que o verdadeiro poder da Chanel reside na criação de roupas que atravessam décadas, parecendo atuais e prontas para acompanhar mulheres reais em qualquer momento do dia.


