O Parlamento da Alemanha aprovou na última quinta-feira, 5 de março, a recategorização dos lobos como ‘espécie caçável’. A medida foi tomada após o retorno desses predadores ao território do país nos últimos anos.
A emenda à lei federal de caça permitirá o abate de lobos na Alemanha entre 1º de julho e 31 de outubro. Estimativas indicam que existem cerca de 1.600 lobos selvagens no país, que havia considerado a espécie extinta no século 19.
Os lobos começaram a se espalhar novamente na Alemanha a partir dos anos 2000, migrando da Polônia e de outros países do Leste Europeu. A caça a esses animais era proibida na Alemanha desde os anos 1990.
O governo justificou a emenda ao afirmar que 4.300 animais de criação foram mortos ou feridos em cerca de 1.100 ataques por lobos em 2024, com custos de proteção aos rebanhos alcançando 23,4 milhões de euros (R$ 140,79 milhões).
A mudança na legislação foi viabilizada pelo rebaixamento do status de proteção do lobo na Convenção de Berna, de ‘estritamente protegido’ para ‘protegido’, em 2025. Isso permitiu que países da União Europeia adotassem medidas semelhantes.
Fazendeiros alemães vinham pedindo um controle maior da população de lobos. Joachim Rukwied, presidente da Associação Alemã de Agricultores (DBV), afirmou:
“‘Temos vários milhares de ataques por lobos a animais de pasto todos os anos. Isso significa uma morte agonizante.'”
A nova lei enfrenta resistência, especialmente na região da Floresta Negra, onde as populações de lobos não se recuperaram tanto quanto no norte do país. Um relatório do Ministério do Meio Ambiente de Baden-Württemberg, de dezembro de 2025, indicou que o estado tinha apenas quatro lobos.
Os moradores de Baden-Württemberg protestam contra o plano de abate de um lobo chamado ‘Grindi’, que se aproximou de pedestres, comportamento incomum para a espécie. Em contraste, a Baixa Saxônia contabilizou cerca de 54 alcateias de lobos no início de 2025.
O Centro Federal Alemão de Documentação e Consultoria sobre Lobos (DBBW) relatou que o número de ataques de lobos ao gado aumentou de pouco mais de cem em 2006 para mais de 5.500 em 2023, embora tenha caído para menos de 4.500 em 2024.
Sybille Klenzendorf, diretora de programas de vida selvagem na Europa do WWF, argumenta que a caça indiscriminada não é eficaz para impedir ataques a rebanhos. Ela afirmou:
“‘A caça não vai resolver o problema dos danos ao gado.'”
Klenzendorf também destacou que outros países, como Áustria e Suíça, estão conseguindo proteger seu gado com cercas elétricas e cães de guarda, sugerindo que métodos alternativos são viáveis.


