A Polícia Federal (PF) iniciou uma investigação sobre uma tendência de vídeos na rede social TikTok que fazem apologia à violência contra a mulher. A corporação recebeu denúncias sobre essas publicações e, em nota, informou que solicitou à plataforma a preservação dos dados e a remoção do material.
Durante a análise, os agentes da PF identificaram mais vídeos relacionados ao tema, que também foram reportados e removidos. Esses conteúdos mostram homens simulando socos, chutes e facadas em mulheres em situações de rejeição amorosa.
No dia 9 de março, a Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a PF para investigar o caso, informando que os vídeos tiveram origem em quatro perfis do TikTok. Os criadores dos conteúdos podem ser responsabilizados por incitação aos crimes de feminicídio, ameaça, lesão corporal e violência psicológica contra a mulher.
““Os vídeos violam as Diretrizes da Comunidade e foram removidos da plataforma”, afirmou o TikTok em nota.”
A plataforma também destacou que sua equipe de moderação está em busca de identificar outros conteúdos violativos relacionados ao tema. Esse tipo de conteúdo misógino tem ganhado força em grupos da “machosfera”, redpills e incels, onde homens se sentem injustiçados e promovem violência e discriminação de gênero.
A militante da Articulação de Mulheres Brasileiras, Eunice Guedes, professora da Universidade Federal do Pará, comentou sobre o aumento do discurso misógino nos últimos anos. Ela ressaltou a necessidade de leis que criminalizem a misoginia e a importância de uma mudança cultural para combater essa violência.
““Não basta só a punição, a gente precisa pensar em prevenção, em mudança de paradigmas”, disse Eunice Guedes.”
Esse fenômeno ocorre em um contexto de crescente debate sobre a violência contra mulheres no Brasil, que atualmente registra quatro feminicídios por dia, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Para denúncias de violência doméstica e contra a mulher, a Central de Atendimento à Mulher oferece suporte 24 horas pelo telefone 180, além de atendimento via WhatsApp e e-mail. Também é possível registrar denúncias em delegacias especializadas e comuns, e através dos números Disque 100 e 190.


