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Justiça

Documentário usou laudo falso para atacar ativista Maria da Penha, diz MP

Amanda Rocha
Última atualização: 10 de março de 2026 16:53
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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O Ministério Público do Ceará denunciou que o documentário “A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha”, produzido pela Brasil Paralelo S/A, utilizou um laudo adulterado de um exame de corpo de delito de Marco Antônio Heredia Viveiros, ex-marido de Maria da Penha, para descredibilizar a ativista e a lei que leva seu nome. A denúncia foi aceita pela Justiça na segunda-feira (9).

Com a aceitação da denúncia, Marco Heredia e outros três homens que participaram da campanha de ódio contra Maria da Penha se tornaram réus. Os denunciados incluem Alexandre Gonçalves de Paiva, influenciador acusado de intimidação sistemática virtual e perseguição; Marcus Vinícius Mantovanelli, produtor do documentário, e Henrique Barros Lesina Zingano, editor e apresentador da produção, ambos denunciados por uso de documento falso.

O documentário sugeria que Marco Antônio Heredia era inocente, alegando que o casal havia sido vítima de assaltantes. Heredia afirmou que a luta corporal com os assaltantes teria causado lesões nele e um disparo que feriu Maria da Penha. Além disso, o documentário apresentou informações sobre uma suposta fraude processual no caso que condenou Heredia, utilizando o laudo adulterado.

A Perícia Forense do Ceará confirmou que o laudo apresentado no documentário era falsificado. O documento incluía informações sobre lesões que não estavam no original, além de diferenças nas assinaturas dos peritos e marcas de carimbos que indicavam montagem.

A denúncia também destacou que a campanha de ódio contra Maria da Penha utilizou conteúdo ofensivo e calunioso, configurando crimes de intimidação sistemática virtual e perseguição. Os quatro homens atuaram de forma organizada para atacar a honra da ativista e descredibilizar a Lei Maria da Penha, utilizando perseguições virtuais e notícias falsas.

As investigações revelaram que os suspeitos usavam grupos de WhatsApp para planejar a campanha de ódio. Alexandre Paiva, um dos influenciadores, chegou a afirmar que iria para Fortaleza para incomodar Maria da Penha e orientou Marco Heredia a não demonstrar raiva pela ativista para conquistar empatia do público.

A investigação, iniciada em 2024, resultou na operação “Echo Chamber”, que levou à suspensão do perfil de Paiva e à proibição de contato com Maria da Penha. Em julho de 2025, foram apreendidos documentos e eletrônicos, incluindo o laudo adulterado, e o documentário foi suspenso.

Maria da Penha, ativista e farmacêutica, foi vítima de dupla tentativa de homicídio em 1983 por parte de Marco Heredia. Ele foi condenado em 1996, mas a pena não foi cumprida devido a alegações de irregularidades processuais.

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