Ad imageAd image

Ações do Grupo Pão de Açúcar enfrentam volatilidade após acordo de recuperação

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

As ações do Grupo Pão de Açúcar (GPA) devem enfrentar dias de alta volatilidade, conforme analistas. A companhia anunciou nesta terça-feira (10) que firmou um acordo com seus principais credores para a apresentação de um plano de recuperação extrajudicial.

A reação do mercado foi imediata, com os papéis abrindo o pregão em forte queda de cerca de 9%, embora as perdas tenham sido amenizadas ao longo do dia. O plano abrange obrigações de pagamento sem garantia, totalizando aproximadamente R$ 4,5 bilhões, e foi autorizado de forma unânime pelo conselho de administração.

Gustavo Moreira, planejador financeiro e especialista em investimentos, afirmou que a recuperação extrajudicial do GPA não surpreendeu o mercado. “Nos últimos meses já havia vários sinais de deterioração financeira do grupo, como prejuízos relevantes, dívida elevada e dificuldades para refinanciar compromissos de curto prazo”, explicou.

Moreira destacou que a recuperação extrajudicial é uma ferramenta para organizar a estrutura financeira da empresa, e não significa o fim da operação do GPA. “A recuperação judicial acaba sendo um mecanismo para organizar a renegociação de dívidas e tentar ganhar tempo para ajustar a estrutura financeira”, afirmou.

Os analistas indicam que a palavra-chave para as ações do GPA no curto prazo é volatilidade. O mercado observa os papéis da companhia com cautela, devido à incerteza sobre o valor da empresa e possíveis diluições ou renegociações com credores.

Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, mencionou que é necessário aguardar os próximos passos da recuperação extrajudicial e a postura do acionista controlador, o grupo Coelho Diniz, em relação a aportes financeiros ou vendas de participação. “Temos que ver como eles vão injetar liquidez na empresa para resolver o problema”, disse.

Moreira acrescentou que a volatilidade já era uma tendência, com os papéis registrando quedas expressivas e oscilações conforme surgiam notícias sobre dívidas e negociações. “Os próximos dias devem ser marcados por movimentos especulativos e reprecificação do risco”, avaliou.

De acordo com Lopes, a situação é delicada para os investidores. “É preciso aguardar o desenrolar dos próximos capítulos”, concluiu.

Compartilhe esta notícia