O Ministério Público (MP) anunciou que vai solicitar à Justiça medidas mais rigorosas para torcedores do Comercial que assediaram sexualmente uma médica durante uma partida de futebol. O promotor de Justiça Paulo José Freire Teotônio informou que o incidente ocorreu no Estádio Palma Travassos, em Ribeirão Preto (SP), no sábado (7), véspera do Dia da Mulher.
A médica, Bianca Francelino, estava prestando assistência ao time visitante, Nacional-SP, quando foi alvo de ofensas por parte dos torcedores. Teotônio sugeriu que os envolvidos no caso prestem serviços em quartéis da Polícia Militar nos dias de jogos, durante um ano, como forma de punição.
““Nos dias dos jogos do Comercial, quatro horas antes e quatro horas depois dos jogos durante um ano e, de preferência, na Polícia Militar. Para não fazerem mais besteiras em eventos desportivos e, principalmente, não desrespeitarem mais de forma covarde, nojenta, uma mulher que está trabalhando”, disse Teotônio.”
O promotor também solicitou à Federação Paulista de Futebol (FPF) e ao Comercial informações sobre a denúncia. Até o momento, dois torcedores foram identificados. Teotônio afirmou que pelo menos três crimes podem ter sido cometidos, incluindo provocação de tumulto e ato obsceno.
Bianca relatou que os comentários de cunho sexual começaram logo no início da partida e se intensificaram quando um jogador precisou de atendimento médico. Os torcedores gritaram ofensas e fizeram comentários inapropriados, incluindo pedidos para que ela se identificasse nas redes sociais.
““Gritavam ‘doutora gostosa’ o tempo inteiro. ‘Doutora gostosa, vem aqui me examinar’, ‘doutora gostosa, estou com uma dor aqui’, apontando para parte íntima”, contou Bianca.”
A arbitragem iniciou o protocolo contra assédio e a partida só foi retomada após a médica garantir que poderia continuar trabalhando. A FPF informou que o caso será analisado pelo Tribunal de Justiça Desportiva, e torcedores e o clube podem ser punidos.
O advogado Vitor Silva Muniz, presidente da Comissão de Direito Desportivo da OAB de Ribeirão Preto, afirmou que o Comercial pode ser responsabilizado e multado em até R$ 100 mil. Os torcedores identificados podem ser proibidos de entrar no estádio por até dois anos.
““O ato, conforme foi narrado, pode ser enquadrado no artigo 243 G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva e esse artigo prevê punições para o clube e para o torcedor identificado”, explicou Muniz.”


