Raízen e Grupo Pão de Açúcar (GPA) solicitaram recuperação extrajudicial nos últimos dias. As duas empresas buscam renegociar dívidas com credores e reestruturar suas finanças.
A Raízen, líder na produção de açúcar e etanol no Brasil, protocolou seu pedido na Comarca da Capital de São Paulo. A companhia enfrenta dívidas que somam cerca de R$ 65,1 bilhões. O plano de recuperação foi estruturado em acordo com credores quirografários, que representam mais de 47% das dívidas financeiras sem garantia. A empresa terá até 90 dias para ampliar a adesão ao plano.
A Raízen informou que as medidas incluem injeção de recursos pelos acionistas, conversão de parte das dívidas em ações e alongamento de prazos de pagamento. O processo não abrange dívidas com clientes e fornecedores, que continuarão sendo pagas normalmente.
O Grupo Pão de Açúcar também anunciou um plano de recuperação extrajudicial, visando renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. O GPA já conta com o apoio de credores que representam 46% do valor das dívidas incluídas no acordo, o que é suficiente para dar início ao processo.
O acordo do GPA prevê a suspensão temporária dos pagamentos das dívidas enquanto novas condições são negociadas. As operações da empresa continuarão funcionando normalmente durante esse período.
O GPA enfrenta prejuízos anuais desde 2022, devido a fatores como a queda no consumo e o aumento dos juros. A companhia alertou para um déficit de cerca de R$ 1,2 bilhão no fim de 2025.
A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite a renegociação de dívidas diretamente com credores, sem a intervenção da Justiça, ao contrário da recuperação judicial, que envolve todos os credores e é mais complexa.
““A recuperação extrajudicial é um instrumento em que a empresa começa a ter dificuldades em relação a um número restrito de credores”, afirmou Nelson Bandeira, advogado especialista em finanças corporativas.”


