A escalada das tensões no Oriente Médio pode resultar em um aumento de 4,68% no Custo Operacional Efetivo do milho de alta tecnologia em Mato Grosso, caso os fertilizantes nitrogenados subam 30%. A simulação foi realizada pelo Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária).
O instituto avaliou que a combinação entre dependência externa, gargalos logísticos e alta dos preços internacionais tende a tornar o planejamento da safra 2026/27 mais caro e volátil. O impacto equivale a 5,9 sacas de milho por hectare, refletindo a recente alta da ureia no mercado internacional, após o agravamento do conflito e os problemas logísticos no Estreito de Ormuz.
O estudo do Imea indica que a instabilidade em uma das principais rotas marítimas para transporte de petróleo, gás natural e fertilizantes elevou a incerteza sobre a oferta global, encarecendo fretes e seguros marítimos, além de aumentar o risco de restrições no abastecimento. O reflexo mais imediato foi observado na ureia, que teve seu contrato futuro para março de 2026 elevado de US$ 510 por tonelada em 2 de março para US$ 618 por tonelada em 5 de março, acumulando uma alta de 30,65% desde o início do conflito.
A expectativa no curto prazo é de manutenção da pressão nos preços enquanto as instabilidades na região persistirem. Essa elevação ocorre em um momento sensível para o abastecimento brasileiro. As importações de fertilizantes nitrogenados tendem a aumentar a partir de março, concentrando-se principalmente no terceiro e no quarto trimestres. Os fertilizantes fosfatados apresentam maior volume entre o segundo e o terceiro trimestres, também com aceleração no início do ano, quando produtores e tradings intensificam a formação de estoques.
Em Mato Grosso, o milho é a cultura mais exposta no curto prazo. A comercialização de fertilizantes para a safra 2026/27 ainda está em estágio inicial, com apenas 5,95% das negociações realizadas no período analisado pelo instituto. As compras costumam ganhar ritmo entre o primeiro e o segundo trimestres, fazendo com que a alta internacional atinja o produtor justamente no início da janela de aquisição.
Segundo o Imea, a cada aumento de 10% no preço do nitrogênio, o impacto estimado no custo operacional do milho é de 1,97 saca por hectare. No caso da soja, a atenção está voltada para os fertilizantes fosfatados. Em 2025, o Brasil importou 40,01% desse tipo de insumo do Egito e Israel, sendo que em Mato Grosso, a dependência é ainda maior, com os dois países respondendo juntos por 58,91% das compras estaduais.


