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João Carlos Mansur nega vínculos com PCC em depoimento à CPI do Crime

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, negou que a gestora de fundos financeiros estivesse associada à lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) durante sua participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado, nesta quarta-feira (11).

“Não temos nenhuma ligação [com o PCC], como o nosso advogado acabou de colocar. No procedimento da Carbono Oculto [da Polícia Federal (PF)], em 15 mil páginas, não existe nenhuma menção à associação com o PCC ou com o crime organizado”, afirmou Mansur.

O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), questionou o motivo pelo qual a empresa foi alvo das operações da PF. Mansur optou por não comentar sobre isso: “Aí é uma opinião pessoal, eu acho que vou permanecer calado”, respondeu.

A Reag Investimentos é investigada em várias operações, incluindo a Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master, e a operação Quasar, que investiga lavagem de dinheiro para facções criminosas. Em janeiro de 2026, a Reag foi liquidada pelo Banco Central (BC) devido a supostos vínculos com fraudes do Banco Master, estimadas em até R$ 50 bilhões.

A empresa administrava 700 fundos que totalizavam R$ 300 bilhões e é suspeita de ter contribuído com o esquema do banqueiro Daniel Vorcaro, sendo acusada de criar empresas de fachada. Inicialmente, Mansur decidiu permanecer em silêncio, mas fez alguns comentários após apelos do presidente da CPI.

Segundo Mansur, a Reag sempre foi auditada por empresas internacionais e mantinha estruturas de governança de uma empresa de capital aberto. “Acho que a gente acabou sendo penalizado por ser grande e independente. Nosso mercado penaliza o independente”, disse ele, admitindo que o Banco Master era um dos clientes da companhia.

“Não éramos, nunca fomos empresa de fachada, não temos investidores ocultos. É um partnership, ou seja, vários sócios, várias pessoas”, completou o empresário.

A CPI aprovou mais de 20 requerimentos com quebras de sigilos, pedidos de informações e convocações, mirando o braço financeiro do PCC na Faria Lima e “A Turma” de Daniel Vorcaro. O depoimento de Mansur foi solicitado pelo presidente da Comissão, que destacou que dos 350 alvos da operação Carbono Oculto, 42 têm escritórios na Avenida Faria Lima, indicando uma indústria de lavagem de dinheiro no sistema financeiro nacional.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), lamentou a recusa de Mansur em responder perguntas da comissão, limitando-se a fazer pequenos comentários sobre a Reag. “São vários questionamentos que não são, a priori, autoincriminatórios, a não ser que a gente compreenda que absolutamente toda a atividade exercida por vossa excelência, ao longo da carreira, seja criminosa”, provocou o relator.

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