A ex-capitã e integrante fundadora da seleção feminina de futebol do Afeganistão, Khalida Popal, elogiou a coragem de jogadoras iranianas que solicitaram asilo na Austrália. Ela pediu que a Fifa e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) façam mais para proteger atletas que enfrentam perseguição.
A preocupação com a segurança das jogadoras aumentou após a televisão estatal iraniana classificar a equipe como “traidoras em tempos de guerra” por se recusarem a cantar o hino nacional durante uma partida da Copa da Ásia. Popal, que deixou o Afeganistão em 2011 devido ao seu ativismo no futebol e recebeu status de refugiada na Dinamarca, afirmou que as jogadoras iranianas demonstraram uma determinação extraordinária.
““O que as mulheres iranianas estão fazendo agora, o que elas fizeram, essa posição diante de tanta pressão de um governo assassino — é uma atitude corajosa. Elas são muito corajosas. Devem ter orgulho de si mesmas”,”
disse à Reuters nesta quarta-feira.
Popal também destacou o impacto psicológico que decisões como essa podem provocar, mesmo após alcançar segurança em outro país.
““Você está fisicamente seguro, mas mentalmente pressionado. Psicologicamente, passa por muito estresse, ansiedade e sentimento de culpa porque está seguro enquanto outras pessoas como você estão sendo mortas, silenciadas ou presas”,”
afirmou.
Ela relembrou o custo pessoal de ter deixado o Afeganistão, descrevendo como
““a situação mais difícil em que já estive””
. Popal mencionou que precisou lidar com depressão, estresse e ansiedade, além da preocupação constante com a família que permaneceu no país.
Fundadora e diretora da Girl Power Organization, que busca fortalecer mulheres e meninas em comunidades marginalizadas, Popal agradeceu à Austrália pela resposta à crise. O ministro do Interior da Austrália, Tony Burke, confirmou que cinco integrantes da equipe receberam oferta de asilo, e outras duas se apresentaram na quarta-feira. Desde então, uma das jogadoras decidiu retornar ao Irã.
““Sou grata ao governo australiano por ter demonstrado apoio e acolhimento”,”
disse Popal.
““A comunidade do futebol se mobilizou e disse: ‘Nossas portas estão abertas para vocês. Sejam bem-vindas. Este é o seu lar’.””
A campanha da seleção iraniana no torneio começou quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã, resultando na morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. O Irã foi eliminado da competição no domingo.
O sindicato global de jogadores FIFPRO havia solicitado que a AFC e a Fifa cumprissem suas obrigações em relação aos direitos humanos e garantissem a segurança da seleção iraniana. Popal, no entanto, pediu que as duas entidades ajam com mais rapidez e decisão.
““Este é o momento de AFC e Fifa se unirem para apoiar as mulheres do Irã, inclusive aquelas que voltaram para casa. A segurança delas deve ser prioridade. Neste momento, a resposta está sendo muito lenta”,”
afirmou.
““O mundo não está se tornando um lugar melhor, e haverá mais crises. O esporte precisa estar preparado para isso.””


