Uma foto de um menino estudante iraniano acenando para sua mãe ganhou destaque nas redes sociais nos últimos dias. A imagem é de Mikaeil Mirdoraghi, que foi morto em um ataque realizado pelos Estados Unidos e Israel durante a guerra no Oriente Médio, segundo a agência de notícias iraniana Mehr.
Mikaeil, que usava óculos e carregava uma mochila e lancheira azuis, era natural da cidade de Andimeshk, próxima à fronteira com o Iraque, e residia em Minab, na província de Hormozgan. A agência informou que ele foi ‘injustamente martirizado em um ataque dos EUA e do regime sionista’. A publicação foi acompanhada da foto de Mikaeil e uma ilustração do menino subindo escadas para o céu.
““[Mikael Mirdourghi] foi injustamente martirizado em um ataque dos EUA e do regime sionista”, publicou a Mehr em seu canal no Telegram.”
A TV do jornal Hamshahri, controlada pela prefeitura de Teerã, divulgou um áudio atribuído à mãe do menino. Ela relatou uma conversa que teve com Mikaeil na noite anterior ao ataque. “Eu tinha preparado o jantar para ele e disse que ele estava comendo a comida. Ele disse: ‘Sua comida é saborosa’. Eu perguntei: ‘Por que você está dizendo isso?’, porque ele não costumava falar assim”, contou a mãe.
A mulher também mencionou uma brincadeira entre Mikaeil e seu irmão, onde ele se referiu a si mesmo como ‘Irã’ e ao irmão como ‘Estados Unidos’. “Ele disse: ‘Viu? O Irã venceu, irmão. O Irã venceu. Eu era o Irã e venci’”, relatou.
““Essa criança era um anjo de Deus. Ele mesmo dizia: ‘Eu sou Mikael.’ Ele sempre dizia: ‘Meu nome é Mikael.’ Mikael significa ‘anjo de Deus’”, completou a mãe.”
No áudio, a mãe criticou os Estados Unidos, chamando-os de “covardes” por atacarem estudantes. “Não havia absolutamente nada naquela escola. Eu mesma vivo em Minab há quatro anos, ou seja, eles simplesmente queriam matar nossas crianças”, afirmou.
A ONG Hengaw, que monitora violações de direitos humanos no Irã, informou que está tentando contato com a família de Mirdoraghi, mas ainda não obteve sucesso. O Ministério da Educação iraniano relatou que os ataques dos EUA e de Israel já resultaram na morte de pelo menos 192 estudantes e professores, além de 66 escolas danificadas ou destruídas.
O maior número de vítimas foi registrado em uma escola primária de Minab, onde morreram 168 crianças e 14 professores. Uma análise de evidências sugere que os EUA foram responsáveis pelo bombardeio. Fontes com conhecimento de uma investigação em andamento relataram que os militares americanos atingiram a escola por acidente devido a informações de inteligência desatualizadas.
A escola Shajareh Tayyiba, em Minab, está localizada próxima a uma instalação do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). O Comando Central dos EUA teria utilizado coordenadas de alvo baseadas em informações desatualizadas, o que contribuiu para o erro.


