A Câmara Municipal de São Paulo aprovou a entrega de duas honrarias à pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável pelo estudo que apresentou a polilaminina como um possível tratamento para lesões na medula espinhal. A votação ocorreu nesta quarta-feira (11) e teve aprovação unânime.
No último fim de semana, Tatiana admitiu que o artigo com os resultados dos primeiros testes em humanos precisará passar por correções. Os vereadores consideraram que as contribuições da cientista justificam a concessão da Medalha Anchieta, do Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo e do Título de Cidadã Paulistana. A cerimônia para entrega das honrarias ainda não foi marcada.
A Câmara destacou que os estudos de Tatiana têm apresentado resultados promissores e que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou em janeiro a fase 1 de estudos clínicos sobre a segurança do uso da substância. A pesquisa sobre a polilaminina ganhou destaque quando a cientista começou a dar entrevistas ao lado do paciente Bruno Drummond, que teve lesão medular e voltou a andar.
O estudo busca comprovar se a aplicação da substância na medula lesionada pode estimular a regeneração de conexões nervosas. O trabalho que Tatiana irá revisar foi divulgado em pré-print em fevereiro de 2024 e aborda o resultado de duas décadas de pesquisas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), incluindo a fase experimental em oito pacientes humanos que começou em 2018.
A farmacêutica Cristália já investiu R$ 100 milhões na pesquisa para transformar a polilaminina em medicamento. Tatiana afirmou que o texto passará por uma revisão geral, com correções e ajustes na apresentação dos dados. Ela declarou: “Esse pré-print eu coloquei assim no momento. Eu pensei: ‘Isso aí não vai dar ‘ibope’, vou deixar lá só para registrar que a gente fez isso em algum momento, por questões de autoria’. Mas ele não estava bem escrito”.
A divulgação do artigo gerou grande repercussão nas redes sociais e críticas de especialistas. Pesquisadores questionaram a apresentação de dados e a interpretação da eficácia do tratamento sem isolar o efeito da substância de outras intervenções, como cirurgia e fisioterapia intensiva. Um exemplo citado foi o de um paciente que morreu poucos dias após o procedimento, mas que aparecia com melhoras registradas após cerca de 400 dias de tratamento.
Tatiana reconheceu que isso foi um erro e que será corrigido. Ela negou que as mudanças estejam sendo feitas em resposta às críticas e informou que a primeira versão corrigida do texto foi apresentada a duas revistas: Nature Communications e Journal of Neurosurgery, mas ambas rejeitaram o trabalho. A pesquisadora agora trabalha em uma nova versão do artigo para tentar publicá-lo em uma revista científica.
As mudanças no artigo incluem correções técnicas, ajustes na apresentação de dados e novas explicações sobre os resultados do estudo. Tatiana afirmou que as alterações não modificam os dados já apresentados nem as conclusões da pesquisa, mantendo sua crença na eficácia da polilaminina. A nova versão não será divulgada publicamente antes de ser aceita por uma revista científica.


