EUA e Israel mantêm Ilha de Kharg a salvo de bombardeios estratégicos

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Entre mais de 5 mil ataques realizados por EUA e Israel ao Irã, a Ilha de Kharg, localizada a 25 km da costa iraniana, foi preservada nos primeiros 13 dias de guerra. A ilha é responsável por 90% das exportações de petróleo da República Islâmica, com capacidade de carregar até sete milhões de barris de petróleo por dia.

Analistas especulam sobre as razões que levam a Ilha de Kharg a permanecer intocada. Sua destruição ou inativação poderia causar um colapso da economia iraniana por décadas e impactar significativamente o mercado global de petróleo. O banco americano JP Morgan avaliou que “um ataque direto interromperia imediatamente a maior parte das exportações de petróleo bruto do Irã, provavelmente desencadeando uma forte retaliação no Estreito de Ormuz ou contra a infraestrutura energética regional”.

Uma proposta que estaria sendo considerada pelo governo de Donald Trump é a de tomar o controle da ilha e bloquear as receitas petrolíferas do regime. Jarrod Agen, assessor da Casa Branca e diretor do Conselho Nacional de Domínio Energético, afirmou: “O que queremos fazer é tirar essas enormes reservas de petróleo do Irã das mãos de terroristas”. Segundo Agen, essa ação permitiria que os EUA não precisassem mais se preocupar com as tentativas do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, por onde escoa um quinto do petróleo mundial.

O Irã, terceiro maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), arrecadou em 2024 cerca de US$ 78 bilhões em exportações de petróleo e gás, mesmo com as severas sanções dos EUA. A maior parte da produção tem como destino a China. Nesse contexto, a Ilha de Kharg é um pilar fundamental da economia do país, recebendo o petróleo que chega por oleoduto de campos produtores como Ahvaz, Marun e Gachsaran.

Como principal terminal petrolífero do Irã, a ilha também é uma fonte de receita para a Guarda Revolucionária, que sustenta militarmente o regime. A anexação da ilha é considerada uma operação arriscada, pois envolveria a presença de tropas terrestres, suscetíveis a pesados contra-ataques iranianos. Além disso, com a proximidade das eleições de meio de mandato nos EUA, uma captura malsucedida de Kharg representaria uma ameaça política significativa para Trump nas urnas.

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